Correio de Carajás

Violência e solução

Coluna Carlos Mendes

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Carlos Mendes

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Violência e solução

A redução da criminalidade e da violência nas ruas, especialmente no Pará, só irá ocorrer quando algumas medidas governamentais de impacto forem tomadas. Sem isso, estaremos enxugando gelo, com mais policiais e viaturas nas ruas, confrontos armados com bandidos e baixas de ambos os lados. Os espaços urbanos, de convivência social, por exemplo, precisam de projetos ousados. De baixo custo e resultado eficaz.

Do lixo à corrupção

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O combate e a punição a alguns tipos de delitos também ajudariam bastante a diminuir os índices de violência que temos. Que tal começar pelas pequenas transgressões: lixo jogado em locais públicos, como estações de passageiros, praças e ruas? Gente que pula a catraca do ônibus para não pagar a passagem, pequenos roubos e desordens? Atacar os crimes pequenos reforça a compreensão de que os crimes maiores, como corrupção e assalto aos cofres públicos, também não estarão impunes.

Psicologia social

Você já ouviu falar na “teoria das janelas quebradas”? É um modelo de segurança pública norte americano que fez despencar os índices de criminalidade naquele país. Ele foi baseado, em 1982, em um estudo de psicologia social da Universidade de Stanford apresentado pelo cientista político James Q. Wilson e pelo psicólogo criminologista George Kelling. Nesse estudo, pela primeira vez no mundo, foi estabelecida uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.

Zona pobre e zona rica

A experiência dos cientistas consistiu em deixar duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na rua. Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Vandalismo por igual

O resultado da experiência: a viatura abandonada no Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta. Não terminou aí. Quando a viatura abandonada no Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os cientistas partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.

Quebra de códigos

Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais. Um vidro partido numa viatura abandonada transmite ideia de deterioração, desinteresse, despreocupação. Quebra os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores acaba em violência irracional.

 

________________________BASTIDORES_________________________

 

* Conclusão da “teoria das janelas quebradas”, que poderia servir de modelo para uma mudança radical no cenário do Pará: o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.

* Se alguém quebra o vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

* Se “pequenas faltas”, como estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade, ou furar o sinal vermelho, sem qualquer punição, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves.

* Permitir atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

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