Futebol é paixão. É rivalidade. É provocação. É o direito de brincar com o amigo quando o time dele perde e de aguentar a gozação quando é o nosso que sai derrotado. Tudo isso faz parte do jogo.
Mas existe uma fronteira que não deveria ser ultrapassada. E ela apareceu, de forma constrangedora, no fim do clássico entre Corinthians e Santos.
Um menino de apenas 8 anos, corintiano, pediu a camisa de Neymar. Não pediu para trocar de time. Não traiu sua torcida. Apenas fez aquilo que uma criança faz: admirou um ídolo.
Leia mais:Neymar poderia ter ignorado. Não ignorou. Voltou, entregou a camisa ao garoto e lhe proporcionou um daqueles momentos que ficam para sempre na memória.
O problema é que, na mesma hora, o menino foi hostilizado e precisou deixar o estádio escoltado. Tudo porque recebeu a camisa de um jogador do time rival.
É difícil não perguntar: que tipo de rivalidade é essa que precisa transformar uma criança em inimiga?
E aqui é preciso reconhecer Neymar. Justamente ele, que nos últimos tempos tem protagonizado comportamentos bastante reprováveis e dado motivos de sobra para críticas. Desta vez, fez o contrário. Teve um gesto bonito com uma criança e ainda elogiou a torcida do Corinthians, dizendo que tira o chapéu para ela.
Acertou duas vezes.
Porque futebol pode ser guerra de 90 minutos. Mas criança não é adversário. E uma camisa jamais deveria valer mais do que o respeito.
No fim das contas, talvez Neymar tenha ensinado uma lição que o futebol, às vezes, parece esquecer: há coisas muito maiores do que ganhar ou perder um clássico.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
