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Reeleição ou derrota

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A conta do que fez e do que deixou de fazer, faltando praticamente um ano e dois meses da eleição municipal de 2020, começa bater na porta de muitos prefeitos pelo Pará afora. Se já fez algo de bom e o povo reconhece, está no caminho certo da reeleição. No entanto, se nada fez e a população reclama a toda hora, a derrota começa a se desenhar. O voto que consagra é o mesmo que derruba.

Eleitor desconfiado

Vamos falar francamente: o eleitor já anda de saco cheio de prefeito que em mais de 2 anos e meio de mandato teve chance de mostrar a que veio, mas até agora não cumpriu as promessas de campanha. E não adianta botar a culpa no prefeito antecessor, ou vir com a desculpa de ter recebido “herança maldita”. Isso não cola. O eleitor quer mais resultados e menos conversa para boi dormir.

Mal na foto

Se não demonstrou competência para fazer melhor ou consertar os erros do que saiu, o prefeito agora atolado em dificuldades não terá uma segunda chance nas urnas. O eleitor de hoje, convenhamos, embora ainda vacile na avaliação do desempenho de seus governantes, é mais esperto que o eleitor de antigamente. A vida do cacique político não está fácil. A cobrança é cada vez maior.

Haverá renovação

A coluna não tem bola de cristal, mas avalia que, pelo andar da carruagem e descontentamento dos eleitores, menos da metade dos atuais prefeitos paraenses irá se reeleger. Daqui há um ano, na véspera da eleição, esse número poderá cair ainda mais. Dos 144 municípios, 100 prefeitos não param de alegar que estão sem recursos para obras, que os repasses federais e do estado estão caindo, enfim, é muralha de lamentações. Quem vota sabe separar a verdade da incompetência.

Mulher em perigo

A violência doméstica, sobretudo contra a mulher, continua em alta no Pará. Os números, preocupantes, revelam que o homem continua machista e sem noção da importância feminina no contexto familiar e na relação conjugal. Diante disso, um grupo de mulheres, ativistas e representantes de movimentos sociais foi bater ontem na porta da Secretaria de Segurança, cobrando do Estado políticas públicas eficazes. Só elas sabem o que sofrem.

Ataques sem escrúpulos

Os casos de agressões de todos os tipos, por motivos banais, além dos feminicídios, alguns com requintes de psicopatia, tem sido noticiados com frequência a cada dia. Além de Belém, Ananindeua e Santarém, os mais populosos, em Marabá, Abaetetuba, Parauapebas, Bragança e Redenção, essa violência precisa de combate permanente. A ousadia dos criminosos transformou a questão em epidemia, com graves consequências na área de saúde pública.

 

_________________BASTIDORES_________________________

 

* Está bem próxima a regulamentação pelo Legislativo e Executivo do uso medicinal da cannabis, um tema polêmico que ainda divide médicos e pacientes. O tema foi debatido anteontem em audiência na Câmara dos Deputados.

* Até 19 de agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária vai manter o assunto em consulta pública, enquanto a Câmara poderá instalar, nos próximos dias, uma comissão especial para analisar nove propostas sobre medicamentos formulados com cannabis, que é conhecida popularmente como maconha.

* O presidente da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, Leandro Ramires, diz que, até maio passado 6.530 pessoas conseguiram autorizações judiciais para a compra desses medicamentos.

* Segundo ele, a cannabis é eficaz no tratamento de epilepsia, autismo, Alzheimer, Parkinson, dor neuropática e câncer. No entanto, Ramires se queixou que a falta de regulamentação transforma os pacientes em “criminosos”.

* “Muitos acham que a gente é criminoso. Eu sou desobediente civil enquanto as pessoas estão convulsionando e esperando que vocês definam algo. Não fazemos apologia à droga nem apoiamos nenhuma medida de uso irresponsável da cannabis. E faço um apelo para pararmos um pouquinho e só pensarmos nos nossos pacientes graves e sofredores”, diz Leandro Ramires.

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