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Propina a juízes

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É grave. Melhor dizendo, gravíssimo. Em 2014, o então prefeito de Santa Luzia do Pará, Adamor Aires, tem o mandato cassado por compra de votos pelo juiz da 41ª Zona Eleitoral, Omar José Cherpinsk. A partir daí, o prefeito passa a gravar conversas com autoridades para tentar voltar ao cargo. E aí, nas gravações, aparecem narrativas sobre pagamento de propina a três juízes. Agora, cinco anos depois, as conversas vêm à tona nas redes sociais.

 

Gravação cabeluda

Em um trecho desses áudios, o prefeito diz que o juiz de Ourém, que à época era Omar Cherpinsk, teria enviado a Adamor um emissário – no caso o cartorário de Ourém – propondo num pedaço de papel o pagamento de R$ 150 mil. E o que faz o prefeito cassado? Recorre ao TJ para voltar ao cargo. E o processo vai parar nas mãos do juiz Marco Antônio Castelo Branco.

 

Áudio repulsivo

Na gravação, o prefeito diz contar também com apoio de outro juiz do TJ, Raimundo Flexa, que seria o suposto intermediário do juiz Castelo Branco. O tal acerto envolveria o pagamento de R$ 60 mil para “comprar” a decisão. Quer dizer, o prefeito cassado não aceitou o suposto pagamento de propina de R$ 150 mil ao juiz que o havia cassado. Preferiu outra “negociação” R$ 90 mil a menor, para ter o mandato de volta. Os trechos dos áudios, já em poder da Justiça e do MP, são de causar repulsa.

 

“Podre que se quebre”

Assim que as gravações – e haveria outras, demolidoras – foram divulgadas nas redes sociais, na segunda-feira, 15, o caso caiu como bomba nos gabinetes dos desembargadores do TJ. O presidente do Tribunal, Leonardo Tavares, durante reunião, cobrou providências imediatas. E elas vieram, traduzidas em abertura de sindicância contra Raimundo Flexa e Marco Antônio Castelo Branco, na portaria assinada pela corregedora da Capital, Maria de Nazaré Saavedra Guimarães. Um desembargador, indignado, afirmou à coluna: “quem for podre que se quebre”.

 

MP também se mexe

Antes de o TJ se mexer, o Ministério Público Federal já havia instaurado procedimento, mas a procuradora Nayana Fadul preferiu mandar tudo para o Ministério Público do Estado apurar, pois ela só cuida de questões eleitorais. De corrupção, quem cuida é o MP. Entrou em cena o procurador-geral de Justiça, Gilberto Valente Martins. Que, aliás, também mandou as gravações para o CNJ, em Brasília. Ou seja, o bicho pegou de vez.

 

A traição do amigo

O prefeito Adamor Aires, apesar da intensa repercussão do fato nas redes sociais, até o momento se manteve calado e nada diz sobre as gravações que fez em 2014. De Santa Luzia, porém, chegam informações de que o prefeito teria sido “apunhalado” por um ex-amigo vereador daquele município com quem teria compartilhado as gravações. Adamor, segundo se comenta em Belém, poderá ser preso a qualquer momento.

 

Caso Salame (1)

Alguém ainda lembra do que aconteceu com o ex-prefeito de Marabá, João Salame Neto? Em novembro de 2013, Salame foi à Polícia Federal, em Belém, para depor sobre uma gravação que havia entregue à Justiça. Essa gravação era um diálogo que ele manteve com o ex-deputado e ex-prefeito de Marituba, Antônio Armando Amaral de Castro, na qual é revelado um suposto pagamento de propina a alguns juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para favorecer prefeitos em apuros com a Justiça.

 

___________________BASTIDORES______________________

* Sabe no que deu o rolo das gravações envolvendo João Salame, Antônio Armando e os juízes citados nas tais conversas?

* Antônio Armando, então um político em decadência, não provou o que estava contido na gravação e foi condenado pela Justiça. E João Salame enterrou de vez sua carreira política.

* A corregedora do Interior, desembargadora Diraci Alves, deverá abrir sindicância para investigar a conduta do juiz Omar Cherpinsk nas gravações feitas pelo prefeito Adamor Aires.

* Ano que vem tem eleição para prefeito. Quem andou na linha, não precisou gravar ninguém e fez boa gestão, está com a reeleição garantida.

* Só depende, logicamente, do aval dos eleitores.

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