No futebol, quase tudo parece ter explicação.
Se um jogador não se reapresenta, há quem fale em indisciplina. Se pede para voltar para casa, dizem que não tem foco. Se recusa uma oportunidade, logo aparecem os especialistas de plantão para decretar que está desperdiçando a carreira.
Kukri, de repente, virou assunto.
Leia mais:O jovem indígena do povo Gavião, que saiu da Terra Indígena Mãe Maria para tentar a sorte no Coritiba, não retornou ao clube. O que aconteceu, exatamente, ainda não sabemos.
E talvez seja justamente por isso que seja preciso ter cuidado.
Talvez tenha sentido saudade. Talvez tenha enfrentado dificuldades que ninguém conhece. Talvez tenha acontecido alguma coisa que ainda não veio a público. Talvez simplesmente tenha mudado de ideia. Talvez…
Não sabemos.
E justamente por não sabermos, não temos o direito de julgá-lo.
O futebol costuma ser impiedoso com seus meninos. Antes mesmo de perguntar se estão felizes, pergunta-se quanto valem. Antes de saber se estão bem, calcula-se quanto podem render. Antes de ouvi-los, alguém já decidiu o que deveriam fazer.
Kukri não precisa, neste momento, de uma multidão dizendo o que ele deveria ter feito.
Há muitos por quês não respondidos. Mas, talvez, uma pergunta bem mais simples não tenha sido feita ainda. A pergunta é: “Kukri, você está bem?”
Depois disso, a gente conversa sobre futebol.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
