Há quem diga que brasileiro não pode torcer pela Argentina. Talvez não possa, se a discussão for apenas sobre rivalidade. Mas quem ama futebol, acima de tudo, torce pela coragem, pela técnica e pelo espetáculo. E, goste-se ou não, foi isso que a Argentina entregou.
Contra o Egito, tudo parecia conspirar para uma eliminação histórica. Messi desperdiçou um pênalti, a equipe viu o adversário abrir 2 a 0 e parecia caminhar para o abismo. Mas o time não se entregou. Correu, pressionou, acreditou. Virou para 3 a 2, com um gol e uma assistência justamente de Messi, transformando um vilão momentâneo no protagonista da classificação.
Na mesma Copa, o Brasil também perdeu um pênalti. Também ficou dois gols atrás no placar. A diferença é que a Seleção Brasileira pareceu aceitar o destino. Faltou reação, faltou inconformismo, faltou a velha alma competitiva que durante décadas fez do Brasil uma potência do futebol. Enquanto os argentinos lutavam contra o placar, os brasileiros pareciam lutar apenas contra o relógio.
Leia mais:É verdade que a classificação argentina não escapará das discussões. Um lance de arbitragem favorável à equipe sul-americana certamente alimentará debates e deixará os egípcios com a sensação de injustiça. Faz parte do futebol, e a análise desse episódio continuará por muito tempo.
Mas, mesmo com essa ressalva, há um mérito impossível de negar: a Argentina jamais desistiu. E é exatamente isso que faz o futebol ser tão apaixonante. Rivalidades passam, provocações fazem parte, mas a entrega dentro de campo merece aplausos, venha ela de onde vier. O brasileiro que ama o esporte não precisa abrir mão de sua paixão pela Seleção para reconhecer quando um adversário oferece uma aula de competitividade.
A Argentina pode até ser eliminada pela Suíça neste sábado. Pode até não conquistar a Copa. Mas deixou a impressão de que não vai cair sem lutar.
Já o Brasil, bem… o Brasil já havia ido embora da Copa muito antes do apito final.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
