Policiais em frente ao bar onde a chacina ocorreu: — Foto: Jalilia Messias
Ads

A resposta imediata – 48 horas – após a chacina que vitimou 11 pessoas em um bairro de Belém revela algumas diferenças significativas entre os governos de Simão Jatene e de Helder Barbalho. A Área de segurança pública de Jatene e o próprio governador demoraram a oferecer respostas à cobrança da população. Helder, assim que soube da matança, reuniu pessoalmente com a área de segurança e exigiu a prisão dos envolvidos. Dois já estão presos e novas prisões devem ocorrer.

Ads

Poder paralelo

É óbvio que a segurança pública no governo de Helder ainda precisa melhorar – e muito – para devolver a paz tanto almejada por todos os paraenses. O crime organizado, principalmente o tráfico de drogas, além da existência de facções como PCC e CV, que de dentro das cadeias tentam exercer um poder paralelo, representam preocupações diárias. Mas também não se pode negar que Helder busca encontrar o caminho do acerto. Ele sabe que não pode falhar, como Jatene falhou no combate à criminalidade.

Isolem os cabeças

Para quebrar os braços e as pernas das facções do CV e PCC, o governo precisa penetrar na mente dos criminosos. E isto só se faz com inteligência policial. O Estado sabe quem são os líderes dessas organizações e como elas atuam. Se a área de inteligência da segurança pública atuar de forma integrada – sem estrelismo ou ciumeira entre Polícia Civil e Polícia Militar – o trabalho terá exito. Isolar os líderes dessas facções seria o primeiro passo. Hoje, eles têm vida mansa dentro dos presídios, de onde dão as cartas para seus asseclas nas ruas.

Jovens cooptados

Sem estudo e sem emprego, os jovens viram mão de obra fácil dos criminosos no tráfico de drogas. E ganham um poder que sequer imaginavam. O tráfico dá a eles tênis de marca, roupas de grife, dinheiro na mão para farras e compra de presentes para namoradas. Vai longe o tempo em que o recrutamento dessas mentes pelos barões do crime se restringia a Belém. Hoje, os jovens soldados da criminalidade estão em Marabá, Santarém, Parauapebas, Redenção, Abaetetuba, Cametá e outras cidades paraenses.

Geração perdida

O governo precisa ter políticas públicas voltadas para os jovens. Sem isso, uma geração inteira estará perdida nas próximas décadas, como já ocorreu com a geração dos anos 90 para cá. Não houve investimento em educação, qualificação profissional e na geração de oportunidade para os que estavam na idade de trabalhar. Tudo foi empurrado com a barriga. Só podia chegar ao que temos hoje: adolescentes começam cada vez mais cedo a trilhar o mundo do tráfico, do assalto à mão armada e do roubo. O tempo de agir se torna cada vez mais escasso.

O fracasso é nosso

Nos anos 80 e 90 falou-se muito que o menor abandonado estaria na raiz dos futuros tormentos de nossa sociedade. As casas de internação compulsória, também conhecidas como Febem, eram o exemplo de política equivocada. Agora, os presídios abrigam maiores que foram menores na época do que poderia ter sido correção de rumo e de vida. E maiores cada vez mais revoltados, com sangue nos olhos. Temos que admitir: como sociedade, somos um fracasso.

 

____________________BASTIDORES_____________________________

* Municípios cujas prefeituras estão inadimplentes com o governo federal alegam não ter verbas para novos investimentos. E tocam as trombetas do caos.

* Ora, esses prefeitos que agora buscam a reeleição no ano que vem deveriam saber que essa conta, mais cedo ou mais tarde, bateria às suas portas.

* No jogo político, porém, eles se fingem de lesos e pedem ajuda a Jair Bolsonaro e ao governador Helder Barbalho.

* Se em Brasília a situação está braba, imagina no Pará. Lá, como aqui, falta dinheiro para tudo. Há obras paradas que precisam ser concluídas.

* As perspectivas, no frigir dos ovos, são boas. Para os próximos anos, o Pará projeta investimentos superiores a 120 bilhões de reais.

* É dinheiro de novos investimentos que serão gerados aqui dentro por grandes empresas nacionais e multinacionais. O Pará é aposta segura.

Ads