Existe uma velha tradição no futebol que desafia a lógica. Nem sempre o melhor time levanta a taça. Aliás, às vezes parece que ser a melhor seleção é quase uma maldição.
Em 1954, a Hungria encantou o mundo. Jogava um futebol tão moderno que parecia ter vindo do futuro. Era favorita absoluta. Mas perdeu justamente a final.
Vinte anos depois, em 1974, foi a vez da Holanda de Johan Cruyff revolucionar o esporte com o “Carrossel Holandês”. Encantou plateias, deu aulas de futebol… e também ficou sem o título.
Leia mais:Em 1982, veio aquela Seleção Brasileira que até hoje mora na memória dos apaixonados pelo futebol. Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo… Um time que transformava cada partida em espetáculo. Muitos ainda juram que foi a melhor seleção brasileira que já viram. Mas a Copa terminou antes da hora, naquele inesquecível dia contra a Itália.
Agora chegamos a 2026.
A França joga um futebol exuberante, reúne talento, intensidade, velocidade e parece ter encontrado o equilíbrio perfeito entre juventude e experiência. Para muita gente, é a melhor seleção da Copa. A grande sensação do Mundial.
E é justamente por isso que, como brasileiro, confesso que torço para que a história se repita.
Não por antipatia aos franceses. Muito menos por falta de reconhecimento ao futebol que apresentam. Pelo contrário. Jogam bonito. Merecem todos os elogios.
Mas existe um supersticioso dentro de todo torcedor. E o meu insiste em acreditar que as Copas do Mundo gostam de contrariar as certezas.
Se Hungria, Holanda e Brasil encantaram o planeta sem conquistar o troféu, quem sabe a França também entre para essa curiosa galeria dos gigantes que fizeram o melhor futebol, mas não deram a volta olímpica.
No fundo, espero que, desta vez, o velho ditado esteja errado.
Espero, sinceramente, que “não vença o melhor”.
Porque, se o melhor não ganhar, talvez o Brasil ainda tenha uma chance de ser campeão.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
