Correio de Carajás

Aedes aegypti preocupa em Marabá

Preocupada com o filho adolescente, de 15 anos, Marlene da Silva Brito o levou para o Hospital Municipal de Marabá (HMM) na manhã desta sexta-feira, dia 1º. O jovem apresentava febre, dor no corpo e sentia muitos calafrios. A preocupação dela, de imediato, é que o filho esteja com dengue. 

“Próximo de onde moro tem terrenos baldios, com muito mato, muito lixo. Já é o terceiro dia que ele está mal. Esperei uns dois dias, mas dando febre tive que trazer. Espero que não seja dengue”, torce.

Assim como ela, Mariza Sousa Mendonça também buscou atendimento para a filha de 5 anos, há quatro dias com febre e reclamando de dores no abdome e nas costas. “Moro no Bairro Araguaia e tem muita área abandonada. Lá tem muito mato e muito lixo, precisaria fazer a limpeza. Estou até evitando dar medicamentos porque estou suspeitando de dengue”.

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O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) realizado recentemente na cidade, pela Prefeitura Municipal de Marabá, apontou que as Folhas 07, 19, 27, 12, na Nova Marabá, e o Residencial Tocantins são as cinco localidades mais preocupantes em relação à quantidade de criadouros do mosquito encontrados, segundo informou a diretora de Vigilância em Saúde, Fernanda Silva.

De acordo com ela, no entanto, o município tem feito controle severo da situação e vem reduzindo os casos de pessoas infectadas por vírus da dengue, chikungunya e zika. “Entre novembro de 2017 e janeiro do ano passado, por exemplo, tivemos 10 casos de dengue e um de chikungunya. Já de novembro passado a este janeiro tivemos apenas quatro casos de dengue e nenhum de chikungunya confirmado”, afirma.

Ela explica que LIRAa é desenvolvido para se saber as localidades mais infestadas e, assim, estratégias focais de combate serem montadas. Em Marabá, acrescenta, constatou-se 20 localidades acima do preconizado pelo Ministério da Saúde, que é 1% de infestação de larvas.

“Dentre estas 20, cinco estava com percentual acima de 10% sendo o preconizado 1%. Então é um percentual elevadíssimo e a gente até considera o período porque é chuvoso e mais favorável à proliferação das larvas, mas é também o período que a população deve reforçar mais a vigilância para evitarmos deixar a água acumular”, lembra.

Conforme Fernanda, o levantamento detectou que os principais criadouros são de características domésticas, como o próprio lixo doméstico e entulhos guardados em quintais. A Vigilância em Saúde prepara, agora, ações de controle priorizando os pontos mais graves.

“Vamos com a equipe fazer a orientação em saúde, levar controle químico e levar a equipe da Secretaria de Urbanismo para fazer o manejo ambiental. Em relação ao ‘fumacê’, que é o controle químico, estamos trabalhando de acordo com o critério de casos. Se tiver incidência elevada na localidade e casos notificados a gente faz”, afirma.

Ela destaca, entretanto, que o controle químico para Aedes aegypti somente mata o mosquito adulto e não as larvas. “Então não adianta de nada se logo posteriormente a pessoa não retirar a criação das larvas. É importante uma vez na semana fazer a vistoria no ambiente interno e externo e retirar criadouros para quebra o ciclo e não deixar a larva virar mosquito”.

SAIBA MAIS

A Vigilância em Saúde trabalha em parceria com o Disque Denúncia Sudeste do Pará para localizar e exterminar focos de mosquito de dengue. Para auxiliar, basta telefonar para (94) 3312-3350, enviar mensagem para (94) 98198-3350 (WhatsApp) ou denunciar pelo aplicativo. A denúncia também pode ser registrada pessoalmente junto ao Centro de Controle de Zoonoses.

Repelentes serão distribuídos para grupos de risco

A enfermeira Paula Hernandes Gomes, que trabalha no Centro de Saúde “Enfermeira Zezinha”, na Folha 23, Nova Marabá, informou que a unidade não recebei, até o momento, pacientes diagnosticados com alguma das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, mas a equipe está atenta ao período chuvoso. 

“A gente faz as visitas nas residências e ontem mesmo encontramos uma criança com febre alta. Orientamos que a família observe porque não tinha sintoma de garganta ou ouvido infeccionado. É suspeita, ainda sem diagnóstico. A gente passou paracetamol, a medicação, e a gente orienta a dar um banho, fazer a medicação e observar com termômetro”, explica, afirmando que caso a febre não cesse é necessário buscar atendimento.

A enfermeira informou, ainda, que as unidades receberam repelentes que serão distribuídos para os grupos de risco, dentre eles grávidas e crianças de zero a cinco anos. “A gente sabe que tem muito mosquito, mas a PMM está trabalhando em relação a isso e disponibilizou material. Já pediram para a gente fazer a capacitação dos agentes e distribuíram os repelentes. Nosso repelente tem 10 horas de duração e é um frasco grande, de boa marca”, afirma.

Paula: “Já pediram para a gente fazer a capacitação e distribuíram os repelentes”

A diretora do Hospital Municipal de Marabá, Eliana Moreira Brito, informou que não se observou aumento de procura neste sentido, mas que o número de atendimentos é de aproximadamente 400 pessoas diariamente e que muitas chegam ao local com sintomas provocados por viroses.

“Na maioria das vezes as pessoas estão com sintomas de virose, febre, mal-estar, dores no corpo. A gente acompanha sempre essas entradas, mas não temos o número exato de pessoas que chegam com estes sintomas. Em relação à dengue, por exemplo, é necessária a realização de exames laboratoriais e que não têm resultado imediato, então demora um pouco para o diagnóstico. Não temos como identificar na porta de entrada, apenas depois, do retorno”, diz.

Eliane: “Na maioria das vezes as pessoas estão com sintomas de virose”

Ela orienta, inclusive, que as pessoas que apresentarem sinais desta natureza devem procurar as Unidades Básicas de Saúde, já que o HMM é voltado para urgência e emergência. “Em determinadas situações o médico da UBS tem como dar esse suporte, tem como atender, tem equipe preparada nas unidades para receber pacientes com viroses. Aqui atendemos para tirar o paciente do quadro de mal-estar e febril, mas o tratamento é feito nas unidades de saúde”, finalizou. (Luciana Marschall)