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A pesca e o Pedral

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Os pescadores e ribeirinhos da região de Tucuruí, onde se localiza a maior hidrelétrica do país genuinamente nacional, estão apreensivos com os preparativos para começo das obras que permitirão a navegabilidade do rio Tocantins, num trecho de 560 quilômetros entre Marabá e o porto de Vila do Conde, em Barcarena. As obras, tão aguardadas há décadas, começam a entrar na fase de audiências públicas. Mas a pergunta é: será que essas vozes de preocupação serão ouvidas?

Do rio, o alimento

É óbvio que obras como o derrocamento do chamado Pedral do Lourenço, que abrirão a navegação num trecho de 35 quilômetros do rio entre os distritos de Santa Terezinha do Tauiri e a Ilha do Bogéa, nos limites do município de Itupiranga, são fundamentais para a economia paraense e do próprio país. Mas é preciso observar alguns detalhes sociais e ambientais para que as comunidades que dependem do rio para sobreviver não sejam irremediavelmente prejudicadas.

Peixes vão sumir?

“Estamos temerosos, mas atentos”, afirma à coluna o presidente da Associação das Populações Organizadas Vítimas das Obras no Rio Tocantins e Adjacências (Apovo), Ademar Ribeiro. Ele informou que os pescadores e suas famílias já estão se organizando para que seus direitos não sejam usurpados nas discussões que serão travadas com a empresa responsável pelas obras e com os governos estadual e federal. “Os peixes não podem sumir do rio com essas obras de grande impacto ambiental”, adverte Ribeiro.

Explosões de rochas

A principal obra no rio Tocantins será a retirada das rochas e pedras que impedem a navegação. O processo, chamado de derrocamento, custará R$ 508 milhões e consiste na demolição, com explosivos, dentro da área de 100 metros de largura onde está o canal do rio. Após as explosões, escavadeiras hidráulicas irão retirar do fundo o material detonado. O trabalho deve durar dois anos e 6 meses.

Progresso à vista

Os próximos dez anos, tempo suficiente para que o Tocantins se torne navegável dentro do Pará, trazem a expectativa de um grande desenvolvimento para o estado. Com o funcionamento da hidrovia Araguaia-Tocantins, a estimativa é de que já em 2030 sejam transportadas pelo rio 30 milhões de toneladas. É mais uma oportunidade que o Pará não pode desperdiçar para ser não apenas coadjuvante e espectador dos bilhões de reais que passarão por suas águas, mas um dos atores principais e verdadeiro beneficiário desse progresso. Tomara que não a perca.

Trinta a menos

A transferência em tempo recorde de 30 líderes do crime organizado que bolaram dentro da Penitenciária de Americano, em Santa Isabel, um espetacular plano de fuga de 400 presos, mostrou que o serviço de inteligência policial está esperto e atento às movimentações de bandidos perigosos. Os chefes do crime transferidos para presídios federais de Brasília, Paraná, Rio Grande do Norte e Rondônia, mandaram matar 11 policiais militares, além de organizarem assaltos a bancos e sequestros. Que fiquem por lá por longos anos.

 

_______________________BASTIDORES___________________

 

* As cinco audiências públicas sobre as obras que tornarão possível a navegabilidade do rio Tocantins e permitirão finalmente a utilização das eclusas de Tucuruí já estão marcadas.

* Elas serão realizadas nos primeiros dez dias de julho, próximo. A primeira, em Marabá. Em Nova Ipixuna ocorrerá a segunda. A terceira será em Itupiranga; a quarta, em Tucuruí, enquanto a última, em Baião.

* “Tem audiência marcada para acontecer às 7 da noite. Isso vai prejudicar a presença de comunidades que precisam ser ouvidas e não terão tempo de deslocamento para os locais desse evento”, critica o líder da Apovo, Ademar Ribeiro.

* O governador Helder Barbalho articula a presença maciça da bancada do Pará em Brasília na votação da reforma da Previdência.

* Helder pediu em Brasília que o estado fosse incluído na reforma, assim como a extensão do projeto às previdências dos municípios. As negociações evoluem nessa direção.

 

* A reforma mobiliza outros governadores.

 

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