Correio de Carajás

Julho e a literatura: escritores aniversariantes

Fortuitamente, semana passada, organizando minhas estantes de livros, abri o clássico A Metamorfose, de Franz Kafka, livro que li pela primeira vez em 2003 e reli quase vinte anos depois, em 2021. Uma informação contida na orelha do livro me chamou a atenção: Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, na cidade de Praga. Diante daquela informação, nasceu a inspiração para a coluna de hoje.

E, para minha surpresa, há muitos nomes de peso que nasceram em julho! Autores e autoras conhecidíssimos, como o moçambicano Mia Couto, nascido em 5 de julho de 1955. Julho também celebra o aniversário do escritor norte-americano Ernest Hemingway, o autor nasceu em 21 de julho de 1899.

Foi também no mês de julho, no século XIX, que nasceu uma das minhas escritoras preferidas, a autora do avassalador O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë – nascida no dia 30 de julho de 1818, na Inglaterra. O autor dos conhecidíssimos Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas, nasceu na França em 24 de julho de 1802. Suas obras são conhecidas mundialmente, sobretudo pelas adaptações cinematográficas. Nesta lista, não poderiam faltar escritores brasileiros. Cito aqui: Arthur Azevedo, escritor maranhense, nascido em 7 de julho de 1855, e Mário Quintana, o gaúcho nasceu no dia 30 de julho de 1906.

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Em homenagem a 2 dos ilustres aniversariantes, escolho dois clássicos — A Metamorfose (1915), de Franz Kafka, e O Velho e o Mar (1952), de Ernest Hemingway — para conversarmos hoje.

No clássico A Metamorfose, Kafka explora suas principais temáticas: acontecimento surrealista, pessimismo, protagonista complexo, solidão. O enredo é bem simples, porém nada comum: um homem ordinário, um caixeiro-viajante chamado Gregor Samsa, é transformado em um inseto monstruoso, sem definição de sua espécie, embora muitos leitores classifiquem o estranho ser como uma barata.

“Certa manhã, ao despertar de sonhos agitados, Gregor Samsa deu consigo na cama transformado num inseto monstruoso. Jazia de costas, umas costas duras, feitas couraça, e, erguendo um pouco a cabeça, viu sua barriga bojuda, marrom, dividida em segmentos envergados, sobre a qual a coberta estava prestes a escorregar e cair, e suas muitas patas, lamentavelmente finas para aquele corpo enorme, agitavam-se indefesas diante dos seus olhos”.

O trecho citado abre a narrativa. A transformação absurda — um homem que acorda metamorfoseado em inseto — acontece sem anúncio nem explicação. Kafka não justifica, e o texto mantém um tom frio e objetivo. Durante a leitura, uma reflexão se impõe: qual é a utilidade do ser humano quando ele deixa de ser produtivo e passar a ser dependente de outros até para cuidados pessoais?

O segundo livro escolhido é O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, vencedor do Pulitzer, o maior prêmio da literatura norte-americana. A obra foi preponderante para que, em 1954, o autor tivesse seu nome gravado de forma definitiva na história da literatura ao receber o Prêmio Nobel de Literatura. Uma palavra que representa a narrativa de Hemingway é resiliência, o que já pode ser sentido pelo leitor durante a leitura da primeira página.

Ele era um velho que pescava sozinho em seu barco, na Gulf Stream. Havia oitenta e quatro dias que não apanhava nenhum peixe (…) o velho pescador era magro e seco, e tinha a parte posterior do pescoço vincada de profundas rugas. As manchas escuras que os raios de sol produzem sempre, nos mares tropicais, enchiam-lhe o rosto, estendendo-se ao longo dos braços, e suas mãos estavam cobertas de cicatrizes fundas (…) tudo que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis.

É uma narrativa curta com três personagens: o velho, o mar e um peixe. O autor conduz o leitor por uma jornada de coragem e paciência ao lado de Santiago — um pescador velho, magro e profundamente marcado pelo sol — que, mesmo após quase três meses sem apanhar um único peixe, prepara seu barco e se lança ao mar. Acompanhamos a trajetória solitária desse homem que é marcado pela coragem e esperança.

Em homenagem a dois dos escritores que marcaram a literatura mundial no início do século XX, deixo como indicação de leitura os clássicos A Metamorfose, de Franz Kafka, e O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.  Boa leitura e até a próxima, queridos leitores!

* A autora é graduada em Letras pela UFPA; bacharela em Direito pela Unifesspa e leitora voraz, por amor e vocação.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.