Correio de Carajás

Sete membros de ONG que leva comida a Gaza morrem em ataque

Funcionários da World Central Kitchen haviam acabado de levar comida e outros itens de ajuda humanitária ao norte da Faixa de Gaza, onde a população está à beira de uma crise de fome. ONG, criada nos EUA pelo chef espanhol José Andrés, vem atuando em Gaza e na Ucrânia.

Membros da World Central Kitchen na Faixa de Gaza em 21 de março de 2024 — Foto: Reprodução/ @chefjoseandres

Um ataque aéreo na Faixa de Gaza matou sete funcionários da ONG World Central Kitchen (WCK), nesta segunda-feira (1º). A organização, criada nos Estados Unidos pelo chef espanhol José Andrés, havia levado uma carga de alimentos por navio ao território palestino horas antes do bombardeio.

A World Central Kitchen afirmou em comunicado que o ataque foi conduzido pelas Forças de Defesa de Israel. Nesta terça-feira (2), o porta-voz do Exército israelense prometeu transparência na investigação do caso.

Segundo o comunicado da ONG, a equipe alvejada por um ataque aéreo circulava por uma áera sem conflitos, em carros blindados e identificados, no momento em que foi atingida.

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Segundo a World Central Kitchen, entre os mortos há um cidadão do Reino Unido, um da Austrália, dois dos Estados Unidos, um do Canadá e um da Polônia, além de um palestino.

“Este não é apenas um ataque contra a World Central Kitchen, é um ataque a organizações humanitárias que se apresentam nas situações mais terríveis, em que os alimentos são usados ​​como arma de guerra. Isso é imperdoável”, disse o CEO da ONG, Erin Gore.

 

As forças militares israelenses afirmaram que estão analisando o que aconteceu “para compreender as circunstâncias desse trágico incidente”. Em mensagem de vídeo nesta terça-feira (2), o porta-voz do Exército disse ter ligado para o fundador do World Central Kitchen, o chef espanhol José Andrés, para expressar “os mais profundos sentimentos”.

Ele afirmou ainda que as Forças Armadas vão “apurar o incidente até o fim” e “com transparência”.

O fundador da World Central Kitchen, o chef espanhol Jose Andres, afirmou que a ONG perdeu “diversas irmãs e irmãos em um ataque das Forças de Defesa de Israel na Faixa de Gaza“.

Ele disse também que “o governo de Israel precisa parar essa matança indiscriminada, precisa parar de restringir a ajuda humanitária, para de matar civis e funcionários de auxílio e parar de usar comida como arma. Chega de vidas inocentes mortas.”

Já a CEO da ONG, Erin Gore, afirmou que está chocada com o acontecido.

“Este não é apenas um ataque contra a WCK, é um ataque a organizações humanitárias que aparecem nas situações mais terríveis em que os alimentos são usados ​​como arma de guerra. Isso é imperdoável”, disse

 

Os funcionários da ONG haviam acabado de levar comida e outros itens de ajuda humanitária ao norte da Faixa de Gaza, onde a população está à beira de uma crise de fome.

Imagens em vídeo gravadas em um hospital na cidade de Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, mostra que alguns deles estavam com itens de proteção que tinham o logotipo da ONG.

A ONG enviou um navio com cerca de 400 toneladas de comida e itens de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. O carregamento foi organizado pelos Emirados Árabes Unidos e pela World Central Kitchen.

No mês passado, a ONG fez a primeira entrega com 200 toneladas. Agora, a WCK disse que está pausando as operações de ajuda na região.

Os Estados Unidos devem começar a usar a rota marítima para fornecer ajuda à região norte da Faixa de Gaza, onde a fome é iminente.

A ONU tem uma agência especializada em atender os palestinos que atua na Faixa de Gaza, mas Israel proibiu essa entidade de fazer entregas no norte do território. Outros grupos de ajuda afirmam que enviar comboios de caminhões para o norte tem sido muito perigoso devido à falta de garantia de segurança por parte do exército.

Campanha militar em hospital

 

O ataque aconteceu horas depois que as forças de Israel acabaram uma campanha de duas semanas no hospital de Shifa, o maior da Faixa de Gaza. O hospital ficou destruído, uma parte do prédio foi reduzida a cinzas.

Os militares afirmaram ter matado 200 militantes do Hamas durante a campanha, porém as agências de notícias não conseguiram confirmar se todos realmente pertenciam ao grupo terrorista. Os palestinos dizem que retiraram corpos de civis dos destroços.

(Fonte:G1)