Correio de Carajás

Casa cheia e arte em evidência marcam abertura do 16º Ver-a-Cidade

Vernissage lota Galeria Vitória Barros e reafirma força da arte em Marabá com mostra fotográfica eclética

Grupo de pessoas em uma galeria de arte com fotos nas paredes e expositores centrais.
A abertura da exposição Ver-a-Cidade contou com pessoas de várias gerações diferentes
Por: Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 27/04/2026 10h01

Abril se despede em Marabá com casa cheia, paredes em estado de poesia e uma certeza renovada: poucas instituições culturais na cidade sustentam, com tanta permanência e prestígio, o ritual de fazer a arte reunir gente como a Galeria de Arte Vitória Barros. Na noite da última sexta-feira (24), o vernissage da 16ª edição do Ver-a-Cidade confirmou o tamanho do evento no calendário cultural marabaense e atraiu um grande público para a abertura da mostra, transformando a galeria em ponto de encontro entre fotografia, memória e pertencimento.

As fotos em exposição chamam a atenção dos visitantes por retratar as margens da cidade

Mais do que uma exposição, o Ver-a-Cidade voltou a reafirmar seu lugar como a mostra fotográfica mais longeva de Marabá. Em sua 16ª edição, o projeto abriu ao público com mais de 100 fotografias produzidas por cerca de 60 participantes, além da presença de escolas convidadas e projetos especiais que ampliaram a experiência artística da noite. A grande circulação de visitantes no vernissage reforçou o prestígio da mostra e o respeito que a Galeria Vitória Barros construiu ao longo de décadas como uma das principais guardiãs da produção artística local.

Vitória Barros com Suely, filha do saudoso fotógrafo Nicodemos, um dos homenageados da mostra

Com o tema “Poética do Entorno”, a edição de 2026 propõe um olhar mais atento sobre aquilo que, quase sempre, escapa da pressa cotidiana. A mostra reúne imagens que deslocam o olhar para as margens, para os silêncios, para as paisagens discretas e para os cotidianos que também constroem a identidade de Marabá. A proposta curatorial, idealizada pela artista plástica Vitória Barros, convida o público a perceber beleza e potência nos espaços que existem para além do centro e de suas urgências.

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Visitantes com Vitória e Ieda Barros na abertura do 16º Ver-a-Cidade

A abertura teve clima de celebração e reencontro. Entre fotógrafos, artistas, estudantes, professores e apreciadores da cena cultural marabaense, a galeria viveu uma de suas noites mais movimentadas do ano, reafirmando o Ver-a-Cidade como uma tradição de abril, mês em que Marabá celebra aniversário e, também, revisita sua própria imagem por meio da arte. A força do público no vernissage consolidou, mais uma vez, a exposição como um dos eventos culturais mais relevantes do município.

Professor Carlos levou a família inteira para prestigiar a exposição na Galeria Vitória Barros

Além das fotografias inscritas pelo público, a mostra reúne colaborações acadêmicas e artísticas, como uma instalação desenvolvida por cientistas da Unifesspa em parceria com a Universidade de Pelotas, dentro de um projeto de caminhografia, além de uma colaboração internacional com universidade da Argentina. A programação também inclui o trabalho da professora e cordelista Lusa Silva, que apresenta imagens e texto inspirados na história de uma árvore transformada em símbolo de cuidado e afeto.

Foto da foto: Diversos visitantes gostaram tanto das imagens que reproduziram para levar para casa

A VEZ DE RAYDA

A fotógrafa Rayda Lima é a homenageada desta edição. Presença frequente na galeria e nome reconhecido por seu trabalho artístico e documental, ela foi escolhida como figura simbólica do Ver-a-Cidade 2026, ampliando o caráter afetivo de uma mostra que, ano após ano, transforma a cidade em imagem e a imagem em memória.

a fotógrafa Rayda Lima: “Ser homenageada cercada de amigos e de pessoas que admiram o que fazemos é um presente que vou guardar para sempre”

“Eu estou muito emocionada porque eu não esperava um convite desse. Marabá é uma cidade que me acolheu com muito carinho. Eu não sou daqui, mas me sinto marabaense de coração. E ver esse projeto Ver-a-Cidade chegar à sua 16ª edição com tanto sucesso, com tanta arte de qualidade, me deixa muito feliz e honrada por fazer parte dessa história. Ser homenageada hoje, cercada de amigos e de pessoas que admiram o que fazemos, é um presente que vou guardar para sempre”, disse ela.

A DONA DA CASA

“Eu estou tão emocionada, que eu acho que é um resultado de um trabalho que a gente faz com muito amor pela cidade de Marabá. É um trabalho voluntário, de família”. As palavras da galerista Vitória Barros evidenciam sua emoção ao receber tantos convidados para a mostra que ela criou há 16 anos.

“Marabá para mim é tudo. É uma cidade que amo, e ela tem tudo, tudo que é atributo para ser uma grande cidade. Para ser uma grande metrópole. Porque aqui é ponto de convergência de tudo. É um encontro das águas, é um encontro das ideias, de pessoas, é um lugar que será sempre abençoado”.

UM PARCEIRO DE LUXO

O experiente artista Bino Souza, que tem uma ligação quase umbilical com a Galeria Vitória Barros, reconhece o crescimento e a importância do Ver-a-Cidade para ajudar as pessoas a reconhecerem as belezas de Marabá e a se reconhecerem também no mundo. Ele percebe como as fotos e seus fotógrafos evoluíram com o passar do tempo e acredita que essa exposição continua sendo um marco relevante para a arte marabaense.

MESTRE DAS PAISAGEM

Jordão Nunes, fotógrafo que já foi homenageado em outras edições do Ver-a-cidade, aponta para uma evolução na resolução das imagens e no olhar dos fotógrafos, que embora continuem focando os rios, têm olhar também voltado para outros pontos da cidade. “Eu vejo o Ver-a-cidade como o grande responsável por esse amadurecimento do olhar fotográfico do marabaense, e isso não tem preço”, diz ele.

Com visitação aberta até 31 de julho, de segunda a sexta-feira, em horário comercial, o 16º Ver-a-Cidade segue em cartaz na Galeria Vitória Barros, no Novo Horizonte, reafirmando que, em Marabá, há lugares onde a arte não apenas resiste, mas continua convocando a cidade a se ver melhor.

A servidora pública Láudia Paixão radiante que sua foto selecionada para a exposição