Na tarde desta terça, continuava o resfriamento da área (Foto: Ulisses Pompeu)
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Começa o período de estiagem e poucas semanas depois tem início um tormento anualmente conhecido e sofrido na pele pelos marabaenses: a poluição do ar causada por incêndios. A cidade fica encoberta pela fumaça e até dormir na madrugada é difícil com ela invadindo os quartos das casas. Nos últimos dois dias o problema se intensificou e foi alvo de intensa reclamação dos moradores, tanto em redes sociais como junto aos veículos de comunicação.

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Nesta terça-feira (13), o Disque Denúncia Sudeste do Pará lançou uma campanha nos canais que mantém abertos na internet pedindo à população que denuncie os crimes de meio ambiente observados na cidade, ressaltando que as queimadas são motivo de preocupação tanto pelo dano ambiental quanto pelos prejuízos provenientes do fogo e da fumaça, como perda de propriedades e acidentes na aviação e transportes terrestres.

A baixa umidade do ar e o calor excessivo auxiliam na propagação rápida de fogo e até mesmo áreas de responsabilidade de quem deveria lutar contra o problema, no caso a Secretaria de Saneamento Ambiental (SSAM) de Marabá, são afetadas. Na manhã desta terça, o Correio de Carajás recebeu a denúncia – junto de uma foto – de uma queimada ocorrida na área do Aterro Sanitário da cidade. A denúncia partiu dos próprios motoristas de caminhões empregados na manutenção do lixo e repassada, inclusive, ao Ministério Público do Estado do Pará para investigação.

BARRADOS

A equipe do portal esteve no local na manhã de hoje, mas teve o acesso barrado pela Prefeitura Municipal, que não permitiu a realização de imagens da área. À tarde, com ajuda de drone, foi possível identificar a parte onde ocorreu a queimada do lixo, que é proibida e acarreta grandes danos ambientais.

O Correio apurou que o fogo se iniciou na tarde de domingo, dia 11, algumas horas antes da madrugada de segunda-feira (12), quando parte da população acordou sufocada por fumaça e relatando sentir cheiro característico de lixo queimado, como plástico derretido, por exemplo. Procurada, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal afirma, contudo, que a fumaça que cobre a zona urbana de Marabá não está ligada à queimada no aterro sanitário que, conforme o órgão, foi rapidamente controlada.

A pasta confirma a ocorrência de um “princípio de incêndio” de forma acidental e declara que, imediatamente, equipes da SSAM enviaram carros pipa ao local para apoio a um veículo desta natureza que permanece no aterro e que estes debelarem o foco, garantindo que a situação já está normalizada. Todavia, quando o drone do portal sobrevoou a área na tarde desta terça-feira, um caminhão pipa ainda atuava na operação abafa, inclusive com jatos de água em direção às áreas queimadas.

METANO

Segundo a Secom, é corriqueiro que situações como esta aconteçam nesta época, em decorrência do contato de gás metano, altamente combustível, com o ar extremamente seco sob o forte sol de Marabá. Por este motivo, assegura, um carro pipa é mantido frequentemente no local, inclusive fazendo resfriamento do terreno.

Importante destacar que o artigo 54, da Lei 9.605 de 1998, conhecida como a Lei de Crimes Ambientais, preceitua que causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora, é crime. (Luciana Marschall e Ulisses Pompeu – com colaboração de Karine Sued e Evangelista Rocha)

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