Correio de Carajás

OMS atualiza casos de hantavírus em navio de cruzeiro; Brasil descarta ameaça

Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus. — Foto: AFP
✏️ Atualizado em 11/05/2026 16h12

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta segunda-feira (11) sete casos de infecção por hantavírus entre passageiros do navio Hondius, após a atualização dos dados com o diagnóstico positivo de uma cidadã francesa repatriada recentemente.

Segundo informação divulgada pelo jornal espanhol “El País”, as autoridades sanitárias ainda investigam um possível caso adicional envolvendo um cidadão americano evacuado do navio próximo ao porto de Granadilla, em Tenerife.

O resultado do exame foi classificado até o momento como um “positivo fraco”, permanecendo inconclusivo.

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Em meio às operações de evacuação e assistência aos passageiros, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou a morte de um oficial da Guarda Civil espanhola que sofreu um ataque cardíaco enquanto participava da operação em Tenerife.

Em mensagem publicada na rede social X, Tedros expressou “profunda tristeza” pela morte do agente e apresentou condolências à família, amigos e colegas. Além disso, agradeceu às autoridades espanholas e à população de Tenerife pelo trabalho realizado durante a emergência sanitária.

Paralelamente, a sequência genética do hantavírus andino isolado do paciente que morreu recentemente em Zurique, na Suíça, foi publicada por pesquisadores e já está disponível em plataformas científicas internacionais.

Segundo especialistas, o material genético apresenta 99% de similaridade com a sequência identificada em um caso registrado na Argentina em 2018.

A análise preliminar indica que o vírus mantém praticamente a mesma estrutura genética observada anos atrás, sem sinais relevantes de mutações acumuladas ao longo do período.

A sequência foi disponibilizada no GenBank, banco de dados mantido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), e também publicada na plataforma Virological.org. O trabalho contou com a participação do Centro Nacional Suíço para Infecções Virais Emergentes, dos Hospitais Universitários de Genebra e do Instituto de Virologia Médica da Universidade de Zurique.

No Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que “o hantavírus não é um vírus desconhecido”.

“É um vírus que todos conhecemos, ao contrário da COVID-19, que surgiu como uma infecção humana. No Brasil, temos entre 38, 40 e 45 casos por ano. Atualmente, temos sete casos de hantavírus que não têm relação com a cepa andina”, afirmou.

Padilha reiterou ainda que a doença ocorre quando uma pessoa inala fezes de roedores, como outros especialistas já enfatizaram e garantiu que “a cepa andina”, aquela transmitida entre humanos, nunca circulou no Brasil.

“Desde o final da década de 1990, tivemos casos de hantavírus no Brasil, mas nunca dessa cepa. Temos toda a infraestrutura necessária para identificar e genotipar o vírus. A OMS não considera o que aconteceu neste surto específico em cruzeiro como um risco de pandemia”, assegurou o ministro.

(Fonte: Terra)