Correio de Carajás

No Dia do Gari, a homenagem vem de uma menina de 6 anos

Danielly Melina, de apenas 6 anos, faz parte de uma minoria que valoriza e defende o trabalho dos garis/ Fotos: Evangelista Rocha

HERÓIS ANÔNIMOS

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Invisibilidade e falta de reconhecimento fazem parte da rotina de uma das profissões menos valorizadas que existem. Mas não pela pequena Danielly Melina...

“Gente porca. São nojentos, lixeiros, fedorentos…” Já pensou você estar trabalhando e ouvir esses adjetivos pejorativos e preconceituosos? Todos os dias, os coletores de lixo – popularmente chamados de garis – escutam de alguém expressões como essas.

Esses profissionais que trabalham nas ruas, faça chuva ou faça sol, e que são fundamentais para a limpeza da cidade, são frequentemente vítimas de discriminação social. Além de trabalharem na coleta de lixo, eles também atuam na varrição de ruas, limpeza de bueiros, podas de árvores, entre outras tarefas.

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Contudo, apesar das dificuldades diárias, do trabalho pouco valorizado e do grande esforço físico que a atividade requer, muitos deles têm orgulho da profissão e, são sim, reconhecidos e admirados nas ruas de Marabá.

A pequena Danielly Melina, de apenas 6 anos, faz parte dessa minoria que valoriza e defende a classe.

A menina, que mora com a família na Folha 7, Núcleo Nova Marabá, explica que o encanto pelos profissionais surgiu na escola, com apenas 3 anos de idade. Ela afirma que depois de ouvir de coleguinhas que os coletores de lixo eram fedorentos, ela passou ser amiga deles.

“Eu achava errado, então comecei a gostar deles. Todo dia espero eles passarem aqui em casa, dou lanche, água…”, conta a garotinha.

O carinho, aliás, é recíproco. Danielly, todos os dias de manhã, se veste com o uniforme de coletor de lixo que ganhou dos trabalhadores. Feito exclusivamente sob medida para ela, essa foi mais uma forma de demonstrar e retribuir a gratidão pelo carinho que a menina tem com eles.

Os trabalhadores ficam emocionados pelo carinho que recebem da menina

MAMÃE VALORIZA

Kely Lima, 30 anos, mãe de Danielly, confirma que aos 3 anos de idade a menina começou a falar para a professora, na escola, que gostava dos garis. “Ela ficava triste quando os coleguinhas chamavam os trabalhadores de lixeiros e fedorentos. Dizia que lixeiro era a gente que sujava a cidade”, recorda.

Foi a partir de então que, todos os dias de manhã, Danielly corria para o portão quando ouvia o caminhão de lixo passar pela rua. Segundo a mãe, ela dava tchau e ficava gritando para eles.

“Tempos depois, antes de completar quatro anos, a garota pediu que o tema de sua festinha de aniversário fosse dos garis. Nos surpreendeu muito. Ela dizia que eles eram os heróis dela. Foi então que improvisamos a festinha, inclusive, um deles chegou a ir para o aniversário e a deixou muito feliz”, recorda a mãe orgulhosa, afirmando que aprende mais com Danielly do que ensina.

“Ela é uma inspiração”, sintetiza.

A mãe, Kely Lima, afirma que aprende muito com a filha

16 de maio – Dia do Gari

Gari é, segundo o dicionário, o empregado da limpeza pública; o varredor de rua.

O termo surgiu em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, que ficou conhecido por ser o fundador da primeira empresa de coleta de lixo nas ruas do Rio de Janeiro, em 1876. No entanto, a categoria só foi instituída em 16 de maio de 1962, data que ficou conhecida como o Dia do Gari.

Com a palavra… os garis!

Raimundo Nonato, 30 anos, trabalha há 6 anos como coletor de lixo nas ruas de Marabá. Ele afirma que existem muitas crianças que admiram o trabalho que fazem.

“Esse carinho é um orgulho pra gente. Nos sentimos muito felizes mesmo. Há muitas crianças que nos olham de cara feia, xingam… então esse carinho é muito bom. Ela sempre nos recebe com um lanche ou um cafezinho aqui”, conta feliz da vida.

O outro coletor que faz parte da rota que passa em frente à casa de Danielly é Evandro da Silva, de 40 anos. Há 2 anos trabalhando como gari, ele afirma que esse é um dos motivos que fazem ele continuar o trabalho.

“Fico muito feliz porque uma criança dessa tem um pensamento que vários adultos não têm. No nosso serviço somos muito criticados, às vezes ouvimos palavras feias. Mas, é bom demais ouvir de uma criança que ela reconhece o nosso trabalho”.

O motorista do caminhão coletor, que faz a rota diariamente naquela rua, Gilvan Guimarães, 56, trabalha há 25 anos na profissão e fica feliz em ver o carinho que os colegas de trabalho recebem, principalmente de crianças como Danielly.

“Ela é apaixonada por eles. Espera a gente passar aqui todos os dias”, vibra.

Todos os dias Danielly espera os trabalhadores e os recebe sempre com um lanche

NÚMEROS

Em Marabá, os garis trabalham no chamado SSAM (Serviço de Saneamento Ambiental). Ao todo, são cerca de 500 profissionais que atuam na limpeza pública e se encarregam de coletar várias toneladas de lixo por dia – de segunda a sábado, com equipes de plantão aos domingos também.

Faça sua parte

Um dos maiores desafios enfrentados pela categoria está relacionado ao descarte incorreto de materiais cortantes, como vidros e espetos, por exemplo, que podem acabar perfurando os trabalhadores. Para evitar essa situação, embrulhe o lixo em um jornal e coloque em uma sacola separada dos demais. (Ana Mangas)

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