“Júnior Boto” foi preso em Abel Figueiredo, depois de ser procurado desde agosto pela polícia/ Foto: Josseli Carvalho

Já está sob os cuidados da Superintendência do Sistema Penal do Pará (SUSIPE) o indivíduo Francival Mota da Silva Júnior, conhecido como “Júnior” ou “Boto”. Ele é apontado como líder da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na área do bairro Cabelo Seco, em Marabá, denominada de “PAC”, devido ao fato de as residências lá terem sido construídas dentro do Programa de Aceleração do Crescimento.

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Júnior começou a ser investigado no mês de agosto, quando o jornal CORREIO publicou matéria sobre um vídeo em que um menor de idade, acusado de participar de um estupro coletivo, aparece sendo agredido e ameaçado por moradores do bairro que seriam justiceiros locais integrantes do PCC.

De lá para cá, a delegada Raissa Beleboni e sua equipe vêm trabalhando no caso. Júnior e mais quatro pessoas foram identificados nas filmagens. A primeira vitória sobre o crime organizado aconteceu no final do mês passado (dia 29 de setembro), quando foi deflagrada a Operação PAC, que tinha como missão prender Júnior e os outros quatro acusados.

Na ocasião, um sábado de manhã, foram presos apenas dois alvos da operação, houve troca de tiros e dois suspeitos de integrar a facção (mas que ainda não estravam identificados) foram mortos em confronto com a Polícia Militar, enquanto Júnior e os outros dois procurados conseguiram fugir. Ou seja: ainda há dois alvos foragidos.

Na manhã de ontem (10), a delegada Beleboni conversou com a Imprensa de Marabá sobre o caso. Ela revelou que Júnior estava escondido na casa de um familiar dele na cidade de Abel Figueiredo, a 100 km de Marabá. O acusado foi trazido para Marabá junto como outros parentes que também foram ouvidos pela polícia e depois liberados.

“O Júnior, durante as investigações, foi identificado como líder da parte da facção criminosa do Comando Vermelho que atuava no PAC, sendo ele um dos responsáveis pela gravação de um vídeo exibido na época do estupro coletivo que aconteceu na Velha Marabá”, relatou a delegada.

Ainda de acordo com Raissa Beleboni, o acusado foi levado pela equipe de Abel Figueiredo para a sede da 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, onde foi formalmente interrogado e efetivamente preso em decorrência de cumprimento de mandado de prisão temporária. Além disso, foi submetido a exame de corpo de delito duas vezes: a primeira em Abel e a segunda em Marabá.

Durante o interrogatório, o acusado negou ter praticado as ações criminosas imputadas a ele e deu sua versão sobre as acusações, o que será constado no inquérito que está sendo feito pela delegada. Depois de ser ouvido, Júnior foi encaminhado ao sistema penal, e agora a polícia vai viabilizar a conversão da prisão temporária em prisão preventiva.

“A prisão temporária tem prazo de 30 dias, de modo que a polícia tem esse período de tempo para prosseguir com as investigações, comprovar as informações levantadas inicialmente e esclarecer de fato não só quem são todos os envolvidos na gravação do vídeo, onde um menor é exibido, agredido e ameaçado, mas também identificar os outros integrantes dessa associação criminosa”, relatou a delegada.

Perguntada sobre quem seriam os outros dois acusados que estão foragidos, a delegada Raissa Beleboni preferiu manter a identidade dos dois em sigilo, mas ponderou que, caso o Poder Judiciário entenda que a divulgação dos nomes não vai atrapalhar no andamento do processo criminal, ela revelará quem são os outros dois foragidos.

PAI DO ACUSADO O DEFENDE

Também na manhã de ontem, o pai de Francival Júnior esteve na delegacia. Ele afirma que o filho não é criminoso e tem filho pequeno para criar. Disse também que o rapaz perdeu os documentos.

O homem – que pediu para ter sua identidade preservada – disse que trabalha a mais de uma semana fora de Marabá e só vem à cidade de vez em quando, mas garante que Júnior não é criminoso. “Não é verdade essa história”, reafirmou.

Ainda de acordo com o depoimento do pai do acusado, Júnior foi até Abel Figueiredo inicialmente para passear, mas se mostrou disposto a trabalhar na roça, porque estava sem dinheiro e sem emprego em Marabá. (Chagas Filho com informações de Elson Gomes)

 

Saiba mais

A prisão de Júnior aconteceu dentro do prazo em que, por força de lei eleitoral, nenhum eleitor poderia ser preso, salvo em caso de condenação ou em flagrante delito. O prazo se encerraria às 17 horas de terça e ele foi preso de manhã. Ocorre que, apesar de ter idade para votar, o acusado nunca fez inscrição eleitoral (nunca tirou o Título). Por isso, ele não é eleitor e, portanto, não estava amparado pela legislação.

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