📅 Publicado em 27/04/2026 09h31✏️ Atualizado em 27/04/2026 09h38
Um ataque criminoso registrado na noite de sábado (25) assustou moradores e mobilizou forças de segurança em Parauapebas. A empresa Rações Karajás, localizada no bairro Palmares Sul, foi alvo de criminosos que instalaram três artefatos explosivos em pontos estratégicos do estabelecimento. Um dos explosivos detonou, provocando danos consideráveis na estrutura de um silo, deixando um cenário que o diretor da empresa classificou como “um cenário de guerra”.

Segundo João Paulo Eliziário, diretor da Rações Karajás, o atentado foi meticulosamente planejado. “Ontem sofremos um atentado terrorista de grande proporção aqui. Instalaram as bombas aqui na nossa estrutura, acabaram culminando, disparando a bomba por aqui”, relatou o diretor. As três bombas foram posicionadas em locais estratégicos da empresa: uma no silo, outra próxima à caldeira e uma terceira junto ao compressor.
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A primeira bomba, que detonou, causou destruição massiva. “Explodiu o nosso silo, juntamente com toda a estrutura, ferragem contorcida”, descreveu João Paulo. O impacto foi tão violento que o concreto usinado do silo foi fragmentado, e as ferragens foram retorcidas pela força da explosão.
O diretor ressaltou a magnitude do artefato e a sofisticação do ataque: “Olha a construção desse silo, a magnitude dessa bomba, são ferragens retorcidas, concreto usinado.”

O sistema de acionamento
O que torna o atentado ainda mais grave é a forma como os criminosos planejaram o acionamento dos explosivos. Segundo João Paulo, um rastilho de pólvora foi instalado para acionar as bombas em sequência.
“Acabou colocando essa linha, esse pavio aí, percorrendo o rastro da pólvora, percorrendo por todo o solo, culminou quebrando o cano aqui e seguindo o caminho dessa pólvora aqui para acionar as outras duas bombas.”
O diretor explicou que o sistema foi projetado para atingir múltiplos pontos críticos da empresa: “De maneira estratégica, para parar as Rações Karajás.” A intenção era que o rastilho de pólvora acionasse as outras duas bombas — uma na caldeira e outra no compressor — causando danos ainda maiores à infraestrutura da empresa.
O que impediu uma catástrofe ainda maior foi, segundo o diretor, uma intervenção do acaso. “Com providência divina, acabou que essa mangueira cessou a linha que ia acionar as duas outras bombas, da caldeira e do silo e do compressor.” A mangueira interrompeu o rastilho de pólvora, impedindo que as outras duas bombas explodirem e causassem danos ainda mais extensos à empresa.
João Paulo ressaltou a gravidade da situação e questionou como criminosos conseguiram acesso à empresa: “Como que os criminosos tiveram acesso a uma situação dessa? É um crime absurdo estrutural”. O diretor classificou o atentado como “um crime absurdo” e expressou preocupação com a segurança da região.
As evidências no local sugerem que foi uma ação planejada. Os criminosos invadiram a propriedade, com muito profissionalismo, pulando o muro através de um terreno vizinho.
Equipes de segurança do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) de Belém, foram acionadas imediatamente após a explosão para isolar a área e evitar novos riscos. A polícia especializada foi deslocada para o local, e equipamentos adicionais foram enviados de Belém para auxiliar nas investigações e na remoção segura dos dois artefatos explosivos que não detonaram.
Segundo o subtenente Jadiel, especialista em explosivos do BOPE, a equipe já cumpria missão na região de Marabá quando foi acionada pelo Delegado Melquisedeque para prestar apoio à ocorrência.

Após vistoria técnica realizada em conjunto com a Polícia Civil, foi confirmado que, embora um artefato tenha detonado, outros dois dispositivos ainda permanecem instalados no local, representando risco iminente.
“Foi visualizado que houve a detonação de um dos artefatos, porém dois ainda se encontram instalados. Será feito o trabalho de retirada para possível destruição, garantindo que a área fique segura”, afirmou o subtenente.
Para garantir a segurança da operação e preservar a integridade física dos agentes e do patrimônio, o BOPE aguarda a chegada de equipamentos especializados vindos da capital, incluindo traje antifragmentação (proteção de alta resistência) e equipamentos de raio-x, para análise técnica da composição dos explosivos antes da manipulação.
Somente após a avaliação técnica detalhada será realizada a retirada e destruição controlada dos materiais.

