O relatório também aponta que o Brasil se tornou, pela primeira vez, o oitavo maior mercado fonográfico do mundo, de acordo com dados da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica).
A apresentação destacou o avanço do português como idioma de crescimento mais acelerado entre os principais idiomas musicais globais dentro da plataforma. Ainda segundo o Spotify, a receita gerada por músicas em português cresceu 26% em um ano e 51% nos últimos dois anos.
Entre os gêneros que movimentam mais de US$ 100 milhões na plataforma, o funk brasileiro foi apontado como o de crescimento mais acelerado no mundo, com avanço de 36% no último ano.
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O relatório buscou também responder a críticas recorrentes sobre a remuneração do streaming musical. Em uma seção intitulada “Mitos x Verdades”, o Spotify afirmou que não existe um valor fixo pago por reprodução individual. De acordo com a empresa, a distribuição de receitas funciona com base na participação de cada obra no total de streams da plataforma.
A companhia também reiterou que os pagamentos não são feitos diretamente aos artistas, mas aos detentores dos direitos autorais e fonográficos — como gravadoras, distribuidoras e editoras —, responsáveis pelo repasse posterior aos músicos e compositores.
Outro ponto enfatizado pela plataforma foi a ampliação do espaço para artistas independentes no país. Segundo os dados divulgados, o número de artistas brasileiros que geraram mais de R$ 1 milhão no Spotify cresceu 24% no último ano e mais do que dobrou desde 2022. Atualmente, mais de 40 artistas nacionais já ultrapassaram a marca de R$ 5 milhões em royalties na plataforma.
Como exemplo do programa radar do Spotify, que ajuda a impulsionar artistas emergentes, o relatório trouxe vídeos dos cantores NandaTsunami e Veigh, que fizeram parte do projeto e hoje enxergam uma espécie de público sem fronteiras, com suas músicas ouvidas em diversos países.
Além disso, segundo Carolina Alzuguir, head de Música do Spotify Brasil, a plataforma tem concentrado esforços em verificar a autenticidade dos artistas e coibir perfis falsos ou operações artificiais de reprodução, mas não adota uma posição contrária ao uso de inteligência artificial na música.
A executiva afirmou que ferramentas de IA já fazem parte do processo criativo contemporâneo — inclusive em etapas como produção, mixagem e composição —, e desde que exista participação humana “pode ser positiva na produção musical”, disse.
Entre as principais preocupações atuais da indústria, estão os chamados “streams falsos”, reproduções manipuladas artificialmente para inflar números, impactar algoritmos e desviar receitas do ecossistema musical. Estes são combatidos pelo Spotify, podendo gerar até a suspensão de um perfil que parece responsável por criar esses bots.
Artistas vinculados podem ser removidos de rankings de músicas mais tocadas, ter seus royalties repensados, músicas retiradas da plataforma e a gravadora notificada, diz Alzuguir. “É uma prática muito maléfica para toda a cadeia da indústria da música”.
(Fonte: Folha de São Paulo)
