📅 Publicado em 08/07/2026 11h28✏️ Atualizado em 08/07/2026 11h36
Nesta sexta-feira (10), Marabá abre as portas para a 30ª edição do Festival da Amizade, conhecido como Fest Amizade. Considerado um dos mais importantes encontros da cultura popular tradicional do Pará, neste ano o evento será realizado pelo Grupo de Tradição Popular Mayrabá, anfitrião da edição. A programação se estende até domingo (12) e reunirá grupos folclóricos de várias regiões do estado em um momento que inclui cortejo, apresentações culturais, oficinas e seminários voltados à valorização das tradições amazônicas.
Em entrevista ao Correio de Carajás, a vice-coordenadora do Grupo Mayrabá, Karla Barbosa Santis, falou sobre o nascimento do festival, ainda em 1995, que tinha a missão de fortalecer os grupos tradicionais e garantir a continuidade das manifestações culturais paraenses.
Segundo Karla, o Fest Amizade surgiu como um encontro entre os grupos para que eles se mantivessem vivos por mais tempo. “O fundador achou que promover um encontro para troca de experiências e saberes voltados à cultura tradicional paraense seria interessante”, explica.
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A iniciativa foi idealizada por Gilson Sobreiro, fundador do Mayrabá — nome de origem tupi que remete à história do surgimento do atual nome do município. Ainda seminarista, ele criou o grupo em Marabá e participou da formação de outras agremiações culturais. Com o passar dos anos, o encontro cresceu e hoje reúne oito grupos que formam o coletivo organizador.
GRUPOS DE DIFERENTES REGIÕES
Participam desta edição os grupos Mayrabá (Marabá), Amazônia (Ananindeua), Paranativo (Belém), Nuaruaques (Ponta de Pedras), Assurinis (Portel), Acauã (Cachoeira do Arari), Tuiá Poranga (Irituia) e Raízes Parauara (Parauapebas). Como convidados especiais, estarão o grupo Flor do Carimbó, de Canaã dos Carajás, e a Companhia de Dança Kanauã, de Marabá.
Aberta ao público, a programação tem início às 18 horas, com um cortejo cultural que sairá em frente ao Museu Municipal em direção à Praça São Félix de Valois, local das apresentações.

Durante o fim de semana, o público poderá prestigiar manifestações como carimbó, siriá, banguê, samba do cacete e outras expressões tradicionais da cultura paraense.
Para Karla, será um momento de ancestralidade, carimbó e muita dança. “Acredito que o público vai ficar deslumbrado com tantas apresentações e com a diversidade da nossa cultura”, destaca a vice-coordenadora.
Integrante do Mayrabá há 31 anos, Karla afirma que manter viva a cultura tradicional é uma missão diária. “Eu me sinto maravilhada e muito honrada por fazer parte desse movimento. São 31 anos de muita luta”, conta.
Com o intuito de incentivar as novas gerações a conhecerem e valorizarem as manifestações tradicionais, o Festival da Amizade busca fortalecer a identidade cultural da população, mostrando ao público as distintas culturas que ecoam pelos cantos do Pará.
FESTIVAL FORTALECE A CULTURA POPULAR
Produtor cultural atuante no evento e representante do Grupo Amazônia, de Ananindeua, Daniel Leão também ressalta o alcance e o reconhecimento do festival ao longo de sua trajetória.
Para ele, o festival se firmou como patrimônio imaterial do estado a partir de sua tradição. “O festival tem 30 anos e foi aprovado aqui, na Câmara Municipal de Marabá. Para nós, isso foi muito importante”, contextualiza.

Daniel também integra o Comitê Estadual de Salvaguarda do Carimbó e avalia que o encontro vai além das apresentações culturais. “É o momento em que nos reunimos para celebrar, compartilhar e realizar ações de salvaguarda do carimbó, além de outras manifestações culturais. Temos oficinas e um seminário temático para discutir questões relacionadas aos mestres, às mestras e à salvaguarda”, afirma.
Segundo ele, o evento representa um espaço de fortalecimento da cultura popular tradicional e de troca de conhecimentos entre diferentes comunidades.
Mais que um encontro, o 30º Festival da Amizade se firma como uma celebração de ritmos e amizade. Ao completar três décadas de história, o evento reafirma sua importância como um dos principais espaços de difusão da cultura paraense, em uma grande celebração da identidade amazônica.
