Correio de Carajás

Fazendeiro recorre à Segup hoje

Teve ampla repercussão neste final de semana os ataques perpetrados contra a sede da fazenda Mutamba, em Marabá, que ocorreram na madrugada e na tarde de domingo (23). Segundo relatos de testemunhas à Polícia Civil, cerca de 60 criminosos atearam fogo na sede da propriedade, destruíram tratores, baias do curral, balearam um vigilante e levaram o que quiseram da propriedade. No primeiro atraque, eles balearam um segurança da fazenda.

O dono da fazenda, Mauro Mutran, se reúne nesta terça-feira (25), com o general Jeannot Jansen, titular da Secretaria de Secretaria estadual de Segurança Pública (Segup). A medida foi tomada depois do segundo ataque à fazenda, que ocorreu logo depois que policiais da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) e do Instituto de Criminalística deixaram a área, após realização de perícia.

Na segunda investida dos criminosos, eles terminaram de destruir a sede da Mutamba, que ficou parcialmente danificada no primeiro ataque. “Só vamos tentar retornar com os funcionários depois da reunião com o secretário de Segurança do Estado, para saber quais serão as providências que o governo vai tomar para que a gente possa retomar nossas atividades”, declarou Mutran, acrescentando que é impossível saber quantos animais foram mortos ou roubados nos últimos dois dias.

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Na tarde desta segunda-feira (24), o delegado Alexandre Silva, da Deca, de Marabá, conversou com a Imprensa sobre o assunto. Para ele, a invasão e depredação da fazenda teria sido uma retaliação após a Justiça ter determinado a retirada de um grupo de sem-terra do local.

De acordo com Alexandre Silva, os sem-terra que ocupavam a área foram retirados de lá em outubro do ano passado, por ordem judicial, mas depois voltaram em dezembro e novamente em maio. Para ele, objetivo dos criminosos é assustar proprietário e funcionários da fazenda para que não fiquem no local.

Alexandre Silva diz que quando chegou ao local, no domingo, encontrou um cenário de destruição, com muitos equipamentos ainda em chamas, além de depredação de oito casas dos funcionários e da sede da fazenda, que fica a 30 km do perímetro urbano de Marabá. “Praticamente está inviável alguém permanecer ali”, comenta o policial, ao classificar o episódio como “ataque é covarde”.

O delegado confirmou que um inquérito policial foi aberto e agora ele tem 30 dias para concluí-lo. Nesse período a Deca vai tentar levantar os nomes de suspeitos para responsabilizá-los criminalmente. Mas até ontem ninguém havia sido preso.

Os guardas que fazem a segurança da fazenda foram surpreendidos pelo grupo. “Eles não tiveram como reagir porque era muita gente, só deu tempo de salvar as famílias que estavam no local. A intenção não foi ferir ninguém e sim destruir a fazenda”, conta o delegado.

Sindicato emite nota

Ainda no domingo, o Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá (SPRM) emitiu nota sobre o ocorrido na Fazenda Mutamba e atribuiu o ataque a integrantes de movimentos sociais denominados “sem terra” e afirmou que “ocorrências dessa ordem causam enorme desequilíbrio em nossa sociedade, pois seus efeitos vão muito além da ofensa praticada diretamente contra o produtor rural”.

Em outro trecho da nota, o SPRM afirma de forma veemente que o “descumprimento da lei em nosso Estado está virando rotina, e a cada novo episódio sem a devida repreensão pelos poderes constituídos, vai promovendo a perda da sensibilidade em relação à ofensa às regras que definem ou deveriam definir o comportamento de cada um de nós”.

Prejuízo passa de R$ 1 milhão, diz pecuarista

O pecuarista Mauro Mutran, dono da fazenda Mutamba, revelou que o rastro de prejuízo deixado por bandidos que invadiram a fazenda Mutamba na madrugada de domingo, 23 de julho, passa de R$ 1 milhão. Cerca de 60 incendiários colocaram fogo em casas, dois tratores, um caminhão basculante, entre outros bens da propriedade e saquearam o que quiseram, deixando o saldo de um vigilante baleado.

Com a voz embargada, Mauro Mutran lamentou que a presença de malfeitores aos redores da fazenda Mutamba tenha sido percebida pelo menos 24 horas antes do ataque. As autoridades da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) foram avisadas, mas não foram ao local para tentar evitar a invasão.

E o pior aconteceu. Na madrugada de sábado para domingo, como em filmes de faroeste, entraram na fazenda por todos os lados, intimidando com tiros, atearam fogo em várias casas e caminhões e balearam um vigilante, que foi levado para um hospital de Marabá e continua internado.

Em maio deste ano, a Justiça determinou o revigoramento da ordem de reintegração de posse na Fazenda Mutamba. Um grupo que se intitula sem-terra estava entrincheirado perto da cerca da propriedade e ameaçava invadir. “Em diversas ocasiões os vaqueiros encontraram gado morto no pasto, possivelmente pelo grupo que estava nos arredores”, conta Mauro Mutran.

O pecuarista disse que tentará marcar uma audiência com o governador do Estado, Simão Jatene, para apresentar a ele um dossiê dos crimes que a fazenda Mutamba vem sofrendo nos últimos anos. “Sempre acreditamos na Justiça. Enfrentamos um longo processo judicial, mas finalmente a propriedade foi declarada produtiva e seus documentos totalmente regulares”, observa Mauro Mutran.

Além de ver os animais que cria serem mortos de forma covarde permanentemente, o pecuarista avalia que nos últimos seis anos em que os ataques foram mais intensos, já foram derrubados mais de mil hectares de reserva legal para roubar madeira. 

(Chagas Filho e Ulisses Pompeu)

 (Fotos: Divulgação)

Teve ampla repercussão neste final de semana os ataques perpetrados contra a sede da fazenda Mutamba, em Marabá, que ocorreram na madrugada e na tarde de domingo (23). Segundo relatos de testemunhas à Polícia Civil, cerca de 60 criminosos atearam fogo na sede da propriedade, destruíram tratores, baias do curral, balearam um vigilante e levaram o que quiseram da propriedade. No primeiro atraque, eles balearam um segurança da fazenda.

O dono da fazenda, Mauro Mutran, se reúne nesta terça-feira (25), com o general Jeannot Jansen, titular da Secretaria de Secretaria estadual de Segurança Pública (Segup). A medida foi tomada depois do segundo ataque à fazenda, que ocorreu logo depois que policiais da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) e do Instituto de Criminalística deixaram a área, após realização de perícia.

Na segunda investida dos criminosos, eles terminaram de destruir a sede da Mutamba, que ficou parcialmente danificada no primeiro ataque. “Só vamos tentar retornar com os funcionários depois da reunião com o secretário de Segurança do Estado, para saber quais serão as providências que o governo vai tomar para que a gente possa retomar nossas atividades”, declarou Mutran, acrescentando que é impossível saber quantos animais foram mortos ou roubados nos últimos dois dias.

Na tarde desta segunda-feira (24), o delegado Alexandre Silva, da Deca, de Marabá, conversou com a Imprensa sobre o assunto. Para ele, a invasão e depredação da fazenda teria sido uma retaliação após a Justiça ter determinado a retirada de um grupo de sem-terra do local.

De acordo com Alexandre Silva, os sem-terra que ocupavam a área foram retirados de lá em outubro do ano passado, por ordem judicial, mas depois voltaram em dezembro e novamente em maio. Para ele, objetivo dos criminosos é assustar proprietário e funcionários da fazenda para que não fiquem no local.

Alexandre Silva diz que quando chegou ao local, no domingo, encontrou um cenário de destruição, com muitos equipamentos ainda em chamas, além de depredação de oito casas dos funcionários e da sede da fazenda, que fica a 30 km do perímetro urbano de Marabá. “Praticamente está inviável alguém permanecer ali”, comenta o policial, ao classificar o episódio como “ataque é covarde”.

O delegado confirmou que um inquérito policial foi aberto e agora ele tem 30 dias para concluí-lo. Nesse período a Deca vai tentar levantar os nomes de suspeitos para responsabilizá-los criminalmente. Mas até ontem ninguém havia sido preso.

Os guardas que fazem a segurança da fazenda foram surpreendidos pelo grupo. “Eles não tiveram como reagir porque era muita gente, só deu tempo de salvar as famílias que estavam no local. A intenção não foi ferir ninguém e sim destruir a fazenda”, conta o delegado.

Sindicato emite nota

Ainda no domingo, o Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá (SPRM) emitiu nota sobre o ocorrido na Fazenda Mutamba e atribuiu o ataque a integrantes de movimentos sociais denominados “sem terra” e afirmou que “ocorrências dessa ordem causam enorme desequilíbrio em nossa sociedade, pois seus efeitos vão muito além da ofensa praticada diretamente contra o produtor rural”.

Em outro trecho da nota, o SPRM afirma de forma veemente que o “descumprimento da lei em nosso Estado está virando rotina, e a cada novo episódio sem a devida repreensão pelos poderes constituídos, vai promovendo a perda da sensibilidade em relação à ofensa às regras que definem ou deveriam definir o comportamento de cada um de nós”.

Prejuízo passa de R$ 1 milhão, diz pecuarista

O pecuarista Mauro Mutran, dono da fazenda Mutamba, revelou que o rastro de prejuízo deixado por bandidos que invadiram a fazenda Mutamba na madrugada de domingo, 23 de julho, passa de R$ 1 milhão. Cerca de 60 incendiários colocaram fogo em casas, dois tratores, um caminhão basculante, entre outros bens da propriedade e saquearam o que quiseram, deixando o saldo de um vigilante baleado.

Com a voz embargada, Mauro Mutran lamentou que a presença de malfeitores aos redores da fazenda Mutamba tenha sido percebida pelo menos 24 horas antes do ataque. As autoridades da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) foram avisadas, mas não foram ao local para tentar evitar a invasão.

E o pior aconteceu. Na madrugada de sábado para domingo, como em filmes de faroeste, entraram na fazenda por todos os lados, intimidando com tiros, atearam fogo em várias casas e caminhões e balearam um vigilante, que foi levado para um hospital de Marabá e continua internado.

Em maio deste ano, a Justiça determinou o revigoramento da ordem de reintegração de posse na Fazenda Mutamba. Um grupo que se intitula sem-terra estava entrincheirado perto da cerca da propriedade e ameaçava invadir. “Em diversas ocasiões os vaqueiros encontraram gado morto no pasto, possivelmente pelo grupo que estava nos arredores”, conta Mauro Mutran.

O pecuarista disse que tentará marcar uma audiência com o governador do Estado, Simão Jatene, para apresentar a ele um dossiê dos crimes que a fazenda Mutamba vem sofrendo nos últimos anos. “Sempre acreditamos na Justiça. Enfrentamos um longo processo judicial, mas finalmente a propriedade foi declarada produtiva e seus documentos totalmente regulares”, observa Mauro Mutran.

Além de ver os animais que cria serem mortos de forma covarde permanentemente, o pecuarista avalia que nos últimos seis anos em que os ataques foram mais intensos, já foram derrubados mais de mil hectares de reserva legal para roubar madeira. 

(Chagas Filho e Ulisses Pompeu)

 (Fotos: Divulgação)

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