📅 Publicado em 28/04/2026 15h02✏️ Atualizado em 28/04/2026 15h56
Um boletim de ocorrência registrado na 20ª Seccional Urbana de Polícia Civil, em Parauapebas, na manhã de ontem, segunda-feira (27), revelou um novo fato no caso do atentado a bomba contra a fábrica de rações Karajás, ocorrido no final de semana. De acordo com o registro policial, o documento aponta uma série de irregularidades no funcionamento da empresa de nutrição animal.
De acordo com o boletim, as inconsistências foram identificadas durante cumprimento de uma decisão judicial que determinou a reintegração de Wellington da Silva Almeida ao quadro da empresa. Na manhã desta terça (28), a reportagem esteve na sede da empresa – que agora conta com um reforço de seguranças –, mas ninguém quis se manifestar sobre o assunto.
Conforme o relato apresentado à polícia, o estabelecimento estaria operando sem a devida regularização junto a órgãos essenciais. Entre as irregularidades apontadas está a ausência de alvará válido do Corpo de Bombeiros, documento considerado fundamental para atestar as condições de segurança do local. Segundo o registro, o referido alvará estava cassado. Conforme apurado pela reportagem, a vistoria havia sido realizada em novembro, contudo, as medidas de Segurança Contra Incêndio e Emergência foram consideradas inaptas.
Leia mais:Um documento oficial da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Parauapebas revela irregularidades envolvendo a empresa. De acordo com o ofício de 26 de novembro de 2025, a apuração teve início a partir de uma denúncia anônima, acompanhada de auto de infração e relatório do Corpo de Bombeiros, que resultaram no cancelamento do alvará da empresa.
O texto destaca que, sem a validade do alvará emitido pelos bombeiros, não é possível a liberação da licença ambiental em tramitação junto à Semma, tornando inviável a regularização do funcionamento até que as exigências legais sejam cumpridas.
O boletim registrado na terça também indica que a empresa não possui autorização regular para funcionamento junto à Prefeitura de Parauapebas. Além disso, não haveria licença ambiental válida emitida nem pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, nem pela Secretaria Estadual.
A soma das pendências, segundo o documento, coloca o empreendimento em situação completamente irregular.
RESISTÊNCIA AO CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL
Outro ponto destacado no boletim é que houve suposta resistência no cumprimento da reintegração de Wellington, determinada pela Justiça. A situação pode configurar, em tese, crime de desobediência, conforme apontado no registro policial.
Ainda de acordo com a documentação, após a explosão sofrida no sábado (25), a estrutura teria ficado danificada, oferecendo risco aos funcionários e clientes que vão até o estabelecimento.
Conforme informações, o sócio Wellington pede a interdição e o fechamento da fábrica, conforme destacado no boletim, a medida tem o objetivo de prevenir riscos e garantir a segurança, além de viabilizar a regularização da empresa.
RELEMBRE O CASO
No sábado, foi registrado um ataque envolvendo explosivos à empresa de rações localizada no Bairro Palmares Sul. Conforme divulgado por este CORREIO, um dos explosivos detonou e provocou danos na estrutura de um dos silos da Rações Karajás.
Na manhã de segunda, uma equipe antibomba do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), da Polícia Militar em Belém, realizou a verificação do material explosivo e efetuou a retirada do artefato.
Em meio ao conflito, a juíza Juliana Lima Souto Augusto, titular da 3ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Parauapebas, solicitou reforço policial para o cumprimento de um mandado de reintegração de posse em favor de Welliton da Silva Almeida. Ele é um dos sócios da fábrica de rações, conforme apontado por Edson Costa, seu procurador. A decisão foi autorizada em 14 de abril de 2026.
