📅 Publicado em 27/04/2026 16h35✏️ Atualizado em 27/04/2026 16h39
Na manhã desta segunda-feira (27), uma equipe antibomba do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), da Polícia Militar em Belém, realizou a verificação do material explosivo encontrado na área da fábrica de rações Karajás, em Parauapebas, onde um dos silos foi destruído por uma explosão no fim de semana.

Ao Correio de Carajás, o coronel Dayvid, do Comando de Policiamento Regional 14 (CPR-14), explicou que a ação do BOPE visa garantir uma decisão segura para a remoção e destruição do material remanescente usado no atentado. Três artefatos explosivos foram instalados em pontos estratégicos do estabelecimento e apenas um foi detonado.
“Toda ação que envolve explosivos exige a criação de um perímetro de segurança. De acordo com o tamanho do artefato identificado, é necessário isolar a área o máximo possível para evitar que qualquer fragmento atinja veículos ou pessoas”, explica o coronel.
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A explosão segue sob investigação da Polícia Civil e boletins de ocorrência registrados em julho de 2025 e em março de 2026 acrescentaram detalhes que ajudam a contextualizar o atentado.
REINTEGRAÇÃO DE SÓCIO
Em 14 de abril de 2026, a juíza Juliana Lima Souto Augusto, titular da 3ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Parauapebas, solicitou reforço policial para cumprimento de um mandado de reintegração de posse em favor de Welliton da Silva Almeida. Ele é um dos sócios da fábrica de rações, conforme apontado por Edson Costa, seu procurador.
Na manhã desta segunda-feira, a reportagem conversou com Edson. A ação, explicou, não é apenas de reintegração de posse, mas também de sócio.
Isso acontece porque, de acordo com o boletim de ocorrência registrado por Welliton em julho de 2025, uma ação fraudulenta foi orquestrada para retirá-lo do quadro societário do empreendimento. Conforme o relato, a contadora titular do escritório responsável pela Rações Karajás teria utilizado o certificado digital de Wellinton, de forma irregular, para assinar uma alteração que o teria retirado da sociedade.
Segundo o relato da época, a contadora responsável teria admitido ter utilizado o certificado digital de Welliton sem autorização para formalizar a alteração contratual que o retirou do quadro societário da empresa. Após descobrir a situação, ele notificou extrajudicialmente a sócia remanescente, solicitando o restabelecimento da composição societária e sua reintegração imediata como sócio, além de apontar a existência de possível fraude documental.
Como não houve providências para reverter a alteração, ele pediu a instauração de inquérito policial para apurar a suposta fraude societária. Também solicitou o envio de ofícios à Junta Comercial do Estado do Pará (Jucepa) e à Receita Federal para suspender os efeitos da alteração contratual e as atividades da empresa até a regularização do caso, alegando indícios de falsidade documental e uso indevido de assinatura eletrônica.
Com isso, foi aberta na Justiça uma ação de anulação de negócio jurídico com pedido de tutela de urgência e indenização por danos morais. O valor da causa é estimado em R$ 2,4 milhões.
Para o Correio, Edson, procurador de Welliton, afirmou que a Jucepa e a Receita Federal já teriam cumprido a determinação judicial. Contudo, segundo ele, a empresa ainda resistia em efetivar a decisão.
Edson ressaltou que a equipe esteve no local para tentar garantir judicialmente o cumprimento da decisão. “O fato é que está judicializado e a Justiça é quem vai decidir”, afirma.
Posteriormente, ainda nesta segunda, a decisão da Justiça que determinou o retorno de Welliton da Silva Almeida como sócio da Rações Karajás foi oficialmente cumprida. O documento de reintegração foi registrado pela oficiala de Justiça após a execução da ordem da Vara Cível e Empresarial de Parauapebas, confirmando que ele voltou a fazer parte do quadro de sócios da empresa.
Segundo o auto, a ação aconteceu de forma tranquila, sem conflitos ou resistência no local. O documento foi assinado pela oficiala de Justiça, por Welliton e pelas testemunhas presentes, encerrando formalmente o cumprimento da decisão judicial sobre a disputa societária.

BOLETIM POR AMEAÇA
Em 18 de março de 2026, um outro boletim de ocorrência envolvendo a Rações Karajás foi registrado por duas pessoas do círculo de Welliton. O caso foi classificado como ameaça.
Segundo o relato, em 9 de março, os homens foram abordados por um terceiro quando estavam em uma conveniência. Segundo eles, o suspeito chegou ao local de forma exaltada e muito irritado. Ele teria dito à dupla que estariam tentando tomar sua fábrica por meio de um processo judicial e declarou que, caso perdesse metade da fábrica e a ação na Justiça, “iria explodir tudo”.
A fala, segundo os depoentes, foi interpretada como ameaça e gerou temor. Posteriormente, a dupla foi até a fábrica para tratar de questões de trabalho, acreditando que retomariam as atividades com o retorno do sócio Welliton.
Lá, foram informados por um vigia de que o homem que os ameaçou havia determinado a seguranças armados, recém-contratados, que atirassem em pessoas ligadas a Welliton que tentassem entrar no local.
Com medo de que a ameaça se cumprisse, a dupla não retornou mais à fábrica.
O ATENTADO
A empresa, localizada no Bairro Palmares Sul, foi alvo de um atentado de proporções bélicas neste final de semana. Uma explosão destruiu um dos silos da unidade, danificando a estrutura de concreto usinado e ferragens.
O ataque foi descrito pelo diretor da empresa, João Paulo Eliziário, como uma ação terrorista meticulosamente planejada. O ato mobilizou imediatamente as forças de segurança do estado.
Uma investigação preliminar revelou que os criminosos agiram com profissionalismo, instalando três artefatos explosivos em pontos vitais da infraestrutura: no silo, na caldeira e junto ao compressor. O objetivo era paralisar definitivamente as operações da empresa por meio de um sofisticado sistema de acionamento em sequência.
Um rastilho de pólvora foi espalhado pelo solo para interligar os dispositivos, demonstrando que os invasores possuíam conhecimento técnico e um plano estratégico de sabotagem industrial.
O que evitou uma catástrofe maior foi uma interrupção fortuita no mecanismo de detonação. Uma mangueira no trajeto do pavio acabou cortando a linha de fogo, impedindo que as cargas instaladas na caldeira e no compressor explodissem. Caso o plano tivesse sido concluído, a magnitude dos danos poderia ter causado vítimas e inviabilizado permanentemente a estrutura da companhia.
A área foi isolada pelo BOPE, que continuou o trabalho nesta segunda. As autoridades concentram esforços para identificar os autores e a motivação por trás do crime. Pistas indicam que o grupo invadiu a propriedade pulando o muro de um terreno vizinho.

