Correio de Carajás

Ensinar é semear mudanças e transformar destinos

Em artigo, professora Canaan Bezerra aborda a neutralidade pedagógica e os impactos da tecnologia, infraestrutura e IA no futuro do ensino.

Ilustração digital em aquarela de uma mulher sorridente com cabelo curto preto, óculos e camisa rosa, cercada por girassóis e itens de papelaria.
Canaan Bezerra tem uma longa trajetória na educação de Marabá, inclusive com uso de tecnologias para os colegas professores
✏️ Atualizado em 15/10/2026 08h48

Meu amigo Ulisses Pompeu tem dessas surpresas. Do nada, em uma terça-feira de feriado, envia-me um desafio: escrever sobre o papel do professor e os desafios da educação no contexto atual. Para mim, receber um convite deste grande escritor e colega de profissão – por quem tenho respeito e admiração – foi surpreendente. Convenhamos que escrever para os leitores que estão acostumados com a forma habilidosa com que ele faz uso das palavras, em diferentes contextos e situações, não é uma tarefa fácil. Não sei bem por que recebi o desafio; talvez porque, vez ou outra, trocamos umas ideias sobre nossa prática no cotidiano das escolas.

Desafio aceito. Para início de discussão, cabe problematizar a pretensa neutralidade defendida por diversos profissionais da educação. Em primeiro lugar, a prática pedagógica é isenta de neutralidade, visto que a educação constitui, essencialmente, um ato político, conforme postulado por Paulo Freire. Em segundo lugar, não há discurso neutro, pois toda manifestação discursiva carrega consigo uma dimensão ideológica, na perspectiva de Michel Foucault. Dessa forma, o docente, por estar em contato direto com o estudante, exerce papel fundamental em sua formação, podendo atuar como agente de transformação ou de conservação da realidade social na qual os educandos estão inseridos.

No que tange aos desafios enfrentados pela educação na sociedade contemporânea, dois fatores sobressaem-se: a infraestrutura precária – que, infelizmente, ainda persiste na realidade de muitas instituições – e o paradoxo emergente da popularização das mídias digitais móveis aliada ao uso da inteligência artificial no ambiente escolar. Se, por um lado, o acesso à informação atingiu níveis sem precedentes, por outro, a consolidação do conhecimento efetivo tornou-se um desafio premente. A este respeito, vou parafrasear meu amigo Prof. Drº Alex Vieira (UNIFESSPA/IGE) com quem compartilho algumas angústias, a transformação tecnológica é irreversível; cumpre, portanto, reconfigurar as práticas pedagógicas para que se adequem de forma crítica e integrada a esse novo cenário digital.

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Ao longo de 31 anos de trajetória profissional, reafirmo minha convicção na educação como o principal instrumento de transformação social, econômica e política. Trata-se de um vetor fundamental para jovens, adultos e idosos que buscam a ascensão por meio do trabalho e do conhecimento, afastando-se da vulnerabilidade e da criminalidade. Essa premissa reflete-se não apenas em minha história pessoal, mas também no êxito de inúmeros ex-alunos que hoje atuam como profissionais de destaque em diversos setores da sociedade.

 

* Canaan Bezerra é professora de Língua Portuguesa nas escolas José Cursino de Azevedo e Inácio Souza Moita, além de formadora no Núcleo de Tecnologia Municipal da Semed/Marabá