📅 Publicado em 16/09/2026 16h59✏️ Atualizado em 16/09/2026 17h54
Representantes de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, órgãos públicos e instituições de apoio participam nesta quarta-feira (16), em Marabá, do segundo encontro para discutir a criação de uma Central de Cooperativas de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis das regiões Sul e Sudeste do Pará.
Realizado na sede do Sebrae, localizada na Folha 28 (Nova Marabá), a iniciativa busca fortalecer o cooperativismo, ampliar a comercialização de materiais recicláveis e reduzir custos logísticos.
A proposta discutida durante todo o dia reúne cooperativas de Marabá, Xinguara, Canaã dos Carajás e Ourilândia do Norte. Entre os objetivos está a criação de uma estrutura de representação capaz de facilitar o acesso a novos mercados, organizar a governança das cooperativas e ampliar a articulação com empresas, instituições e órgãos públicos.
Leia mais:Em entrevista ao Correio de Carajás, Aurilene Brandão, gerente do Sebrae Carajás, explicou que a ideia surgiu a partir da aproximação entre as próprias cooperativas e ganhou força com as experiências de articulação promovidas durante a COP 30. “Eu vejo que também tem uma herança da COP 30, de tudo o que foi feito”, avalia.

Ela ainda destaca que a criação da central poderá abrir novas possibilidades de atuação para os trabalhadores da reciclagem, visando ao acesso das cooperativas a empresas, editais e projetos de fomento.
Redução de custos para ampliar negociações
A analista de desenvolvimento e monitoramento de cooperativas pelo Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) Pará, Luciane Fiel, acompanha o processo de orientação e organização das cooperativas. Segundo ela, a entidade atua em apoio à constituição da nova organização para auxiliar nas orientações. “Nós acreditamos que essa constituição vai trazer mais engajamento e visibilidade para essas cooperativas, mas principalmente uma representação maior”, pontua a analista.

As quatro cooperativas participam atualmente das discussões, representando municípios estratégicos da região e juntando forças para o fortalecimento do segmento da reciclagem em toda a região.
Para Luciane, a iniciativa é inovadora e poderá contribuir tanto para a aproximação com novos mercados quanto para a organização interna das cooperativas. “Isso vai possibilitar aproximação com mercados, mas também a estruturação e organização da governança dessas cooperativas a partir de uma representação por central”, complementa.
Presente na discussão, Milton Zimmer Schneider, secretário adjunto de Assistência Técnica, Trabalho e Emprego do Pará, ressaltou que o projeto é resultado de um trabalho iniciado com as cooperativas de forma individual e que agora entra em uma nova etapa. “Nós dialogamos com cada cooperativa e, a partir disso, surgiu a proposta da constituição de uma central”, completa.

Entre os objetivos estão o compartilhamento de serviços e a realização de negociações conjuntas, a fim de fechar negócios de forma coletiva.
De acordo com Milton, a união poderá reduzir despesas com transporte e aumentar o poder de negociação. “Nós estamos diminuindo o custo, ao invés de cada cooperativa pagar um frete, se junta todas as cooperativas e pagam um frete só. Nós aumentamos a capacidade de comercialização. Em vez de vender uma cooperativa de forma separada, juntamos o material de todas, barganhamos com isso a questão de valor, e quem vai ser beneficiado são os catadores, as cooperativas”, encerra.
Além da geração de renda, o projeto pretende dar maior visibilidade ao impacto ambiental produzido pelo trabalho dos catadores. Para ele, a estratégia principal é também mostrar à sociedade o valor do trabalho desenvolvido na limpeza das cidades.
Maior volume de materiais
Presidente da Corema, em Marabá, Wesley Faustino atua há sete anos com gerenciamento de resíduos sólidos. Ele avalia que a união das cooperativas poderá ampliar a presença do setor no mercado. “A constituição da central é para fortalecer e alcançarmos mercados maiores. Uma região como um todo será levada mais longe”, finaliza.

Ele ainda avalia que o aumento do volume comercializado será um dos principais diferenciais, enfatizando que não apenas o mercado irá ganhar, mas também a região e as cooperativas.
Como Wesley, Valéria Silva também está na linha de frente dentro da Cooperativa Coolettar, de Canaã dos Carajás. Ela afirma que a criação poderá fortalecer o setor diante das dificuldades logísticas enfrentadas atualmente.
A distância dos grandes centros compradores é apontada por ela como um dos desafios para as cooperativas. “Hoje estamos muito distantes da capital, onde vendemos os resíduos. Tendo essa central, nós vamos reunir esses resíduos em um só lugar”, argumenta.

Presidente da Biorecicle, de Ourilândia do Norte, Lourival Aparecido também participou do encontro. Em sua fala, ele avalia que a proposta representa uma oportunidade de valorização das cooperativas e dos municípios envolvidos.
Para ele, os benefícios poderão alcançar os municípios, os catadores, o poder público e o meio ambiente. “Eu vejo que é um ganho para ambas as partes”.

Representando a Cooperlimpa, fundada em 2007 em Xinguara, o diretor-presidente Maurílio Alves Pereira diz que uma das principais pautas é avançar na organização para a criação. Uma das etapas mais importantes para a definição, ele assegura que as reuniões definirão os próximos passos a serem tomados.
Para o representante, a união entre os grupos pode contribuir para garantir maior estabilidade às organizações e aos trabalhadores envolvidos na atividade.

