Correio de Carajás

Deputados criticam falta de prioridade ao Pará

Deputados paraenses foram ao Porto do Pecém para conhecer estrutura que tiraram do Pará/ Foto: Ozeas Santos

CPI DA VALE

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O Pará é um estado que traz benefícios gigantescos à empresa Vale. É em solo paraense que ela desenvolve a exploração mineral na Região de Carajás, onde está localizada a maior jazida de minério de ferro a do mundo.

Desde sua descoberta em 31 de julho de 1967, o Complexo de Carajás tem contribuído para o sucesso da produção da empresa no mercado nacional e internacional, com produção de 190 milhões de toneladas no ano de 2020, segundo dados da empresa.

Enquanto isso, a empresa tem priorizado o Estado do Ceará para fazer investimentos de grande porte no Complexo Siderúrgico do Pecém (CSP), em detrimento ao Pará. É no estado paraense que extraem a maior parte do minério de ferro processado na siderúrgica cearense, o qual tem provocado questionamentos entre os deputados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).

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Além dessas questões, a verticalização da produção, o que não acontece no Pará, e a geração de emprego de mais de 60% da mão de obra local, motivaram os deputados a visitarem o complexo siderúrgico para averiguar de perto as condições e as operações.

Portanto, na sexta – feira (03.08), o deputado Eraldo Pimenta que preside a CPI, acompanhado do deputado Eliel Faustino, membro titular, estiveram no empreendimento, localizado em São Gonçalo do Amarante, no estado do Ceará. Lá, foram recebidos por Marcelo Botellho, presidente do CSP e o gerente de logística, Marcelo Faria.

Em reunião com os executivos, os deputados puderam conferir uma apresentação sobre as operações e logísticas do empreendimento, e o pátio da fábrica, onde é feito todo o processamento da matéria-prima.

O presidente do complexo, Marcelo Botelho, apresentou a trajetória da empresa, instalada desde 2016, mas os estudos sobre a viabilidade iniciaram em 1995.

De acordo com o executivo, o Pecém é formado por uma joint venture pelo Governo do Ceará e pelo Porto de Roterdã, na Holanda, que constituem o complexo industrial e portuário do Pecém, com condição geográfica privilegiada, tendo em vista que o porto possui a menor distância entre o Brasil e regiões estratégicas como os Estados Unidos, Europa e capacidade para receber navios de até 330 metros de comprimento, com calado de até 15,3 metros.

“O governo elegeu aqui para ser um polo, é uma política de estado. Esse é o principal motivo. Em todo o investimento, o efeito que se busca é a continuidade e o estado está junto nessa equação”, afirmou.

A Companhia Siderúrgica do Pecém é uma binacional, constituída pela brasileira Vale que detém 50% do capital, com participação de 50% das ações de empresas sul-coreanas Dongkuk (30%), maior compradora mundial de placas de aço; e Posco (20%), 4ª maior siderúrgica do mundo e a primeira na Coréia do Sul. Os investimentos são da ordem de US$ 5,4 bilhões, sendo a CSP a primeira usina integrada no Nordeste e a trigésima instalada no Brasil.

De todo material processado no pátio da CSP, dois terços são minérios provenientes de Carajás, enquanto a região sudeste contribui com apenas um terço (Minas Gerais e Espírito Santo).

Em termos de geração de operacionalidade, o minério de ferro do Pará representa com 2,8 milhões de toneladas/ano, e o sudeste com a parcela de 1,1 milhão de toneladas por ano. (Fonte: Ascom Alepa)

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