O Campeonato Brasileiro de 2026 atingiu uma marca histórica: 158 jogadores estrangeiros estão registrados na Série A. Argentinos, uruguaios, colombianos, paraguaios e equatorianos lideram uma tendência que cresce ano após ano.
Não há problema em contratar bons jogadores estrangeiros. O futebol sempre foi global. A questão é quando a importação deixa de ser complemento e passa a substituir aquilo que fez do Brasil o maior celeiro de talentos do planeta.
As categorias de base perderam espaço justamente quando o regulamento passou a permitir até nove estrangeiros relacionados por partida. O reflexo já aparece em campo: levantamento recente mostra que apenas dois clubes da Série A deram mais minutos a jogadores formados em casa do que a atletas estrangeiros.
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A consequência pode ser silenciosa. Se o jovem brasileiro joga menos, amadurece mais tarde. Se amadurece mais tarde, revela menos potencial. E, inevitavelmente, a Seleção Brasileira também paga essa conta.
É verdade que a presença de estrangeiros eleva o nível técnico da competição e aumenta a concorrência. Mas há uma diferença entre fortalecer o campeonato e fechar portas para quem deveria ser seu protagonista natural.
O Brasil construiu sua identidade exportando craques. Agora, parece cada vez mais disposto a importá-los. O Brasileirão pode até ficar mais competitivo, mas corre o risco de perder justamente aquilo que sempre o tornou único: a extraordinária capacidade de revelar gênios da bola.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
