Para quem conhece a praia de todos os anos, a curta extensão até agora é decepcionante/ Foto: Josseli Carvalho
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Os banhistas sempre têm como certo que a praia do Geladinho surge com ampla extensão de areia ao final do mês de julho e tem enorme movimento ao longo do mês de agosto. Ocorre que este ano, a conversa não tem sido esta e até agora um tímido barranco é o único espaço de areia disponível. O balneário sempre se revela à margem direita do Rio Tocantins, à altura do complexo São Félix. O nível ainda alto da água do rio é lamentado por banhistas e pelos comerciantes que exploram vendas no entorno nesta época.

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É bom destacar que o CORREIO, em reportagens das últimas semanas já vinha evidenciando que este período de verão está sendo diferente do habitual. A faixa bem mais curta de areia na Praia do Tucunaré e o não surgimento da Praia do Macaco, em Itupiranga, deixam claro que a cota do rio está maior para o período. A Eletronorte não assumiu até agora que esteja represando mais água no lago da hidrelétrica.

A Reportagem esteve esta semana na praia para acompanhar como está a movimentação dos banhistas e comerciantes por lá. Logo que a Equipe chegou, poucas pessoas estavam no balneário. E o pouco da faixa de areia que surgiu vem sendo disputado pelos vendedores.

É o caso da comerciante Leila Maria Gomes Cavalcante, proprietária da Barraca Estrela do Mar. Segundo ela, que trabalha na praia há 20 anos, o público vem diminuindo a cada ano. “A praia começou a decair desde quando mexeram na entrada do estacionamento, que eles fecharam para ninguém mais entrar. Mas daqui eu só saio quando morrer, criei meus filhos e netos tirando dinheiro daqui também”, disse ela, fazendo menção à proibição de veículos transitando na areia.

De acordo com a comerciante, apesar do baixo movimento, ela acredita que as vendas podem melhorar ao longo das próximas semanas. “Até agora, nada de praia, mas a gente precisa ter sempre a expectativa de que vai melhorar. Foram cadastradas umas 45 barracas, mas o pessoal foi desistindo e agora só restaram uns 12”, afirmou Leila.

Outro vendedor que também reclamou da situação foi Gilson da Silva. Segundo ele, no mesmo período do ano passado, um vasto banco de areia já era visto na praia. “Este ano está demorando muito, nossa expectativa é que esse banco de areia apareça até o dia 10 de agosto”, afirmou esperançoso. Gilson conta que fez obras com o objetivo de aumentar o tamanho do restaurante para assim receber um maior número de pessoas, coisa que vem acontecendo aos poucos. “Está bom, ruim é quando não tem nada, mas estamos recebendo aos poucos as pessoas, os turistas”, respondeu o comerciante ao Jornal.

Ana Cláudia Mendes, moradora do Novo Progresso, disse lamentar que a praia não esteja tão bela e com longa faixa de areia como é o costume. “O Geladinho é a praia mais gostosa que tem e a mais popular. Aqui ninguém tem de pagar passagem pra atravessar de barco. Essa que é a graça, a gente curtir e ir embora a hora que quiser”, comentou, dizendo acreditar que o rio ainda tem muito a baixar.

SEMMA

O CORREIO procurou a Secretário Municipal do Meio Ambiente de Marabá (Semma), para repercutir sobre o não surgimento da praia até agora. O secretário Rubens Borges Sampaio explicou que existem épocas em que o nível das águas está mais baixo e em outros não e que isso pode ser ocasionado pela movimentação de sedimentos no rio. “Com essa movimentação, o rio pode ficar mais baixo por causa da própria correnteza. Não conseguimos dar uma previsão exata do rio”, explica Rubens.

Entenda

A deposição de sedimentos é natural e ocorre em nos rios, pois a água perde velocidade e força e acaba não conseguindo carregar os sedimentos, que vão se acumulando. Todos esses fatores aumentam o volume de sedimentos que caem das margens e diminuem a vazão dos rios.

(Karine Sued)

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