📅 Publicado em 25/06/2026 10h28✏️ Atualizado em 26/06/2026 11h14
A tradição e a solidariedade ditam o ritmo da 35ª edição do “Baile dos Anos 60”, em Marabá. O evento acontece no dia 10 de julho, a partir das 22 horas, no espaço Beira Rio Eventos, na Avenida Transmangueira. Mais do que apenas uma festa, a noite marca o encontro de gerações e promove uma ação social direta para a comunidade.
Neste ano, a organização abriu mão de qualquer fim lucrativo e reduziu o valor da mesa, que passou de R$ 250 para R$ 180. Para obter o desconto, os compradores devem doar uma cesta básica de valor livre. Os alimentos arrecadados serão entregues integralmente à Paróquia São Félix de Valois. Mas os interessados precisam correr, pois restam apenas seis mesas disponíveis. Elas podem ser reservadas diretamente pelo telefone (94) 99136-4700.
É Wilson Paixão (Lapeta), um dos fundadores do evento, quem conta que a programação musical foi desenhada para atravessar a madrugada e atender aos pedidos do público fiel. O DJ Edson abre a pista às 22 horas e comanda o som até a meia-noite. Na sequência, a tradicional banda “Os Originais de Marabá” assume o palco e garante a animação ininterrupta até as 5 horas da manhã. A expectativa é receber cerca de 600 pessoas no salão.
Leia mais:TRADIÇÃO
A continuidade do projeto é mantida pelo esforço de Lapeta. Professor aposentado e ex-presidente da Liga Esportiva de Marabá, ele transformou o baile em um compromisso de vida e em um legado afetivo para a história da cultura da cidade.
“Quando termina, às vezes eu até choro, porque eu me sinto um cara realizado”, confessa Lapeta. Com orgulho, ele reconhece que o cansaço da idade desaparece diante da oportunidade de celebrar a vida ao lado de velhos conhecidos.
Para ele, o ambiente seguro do baile é, historicamente, o maior triunfo da organização. Em mais de três décadas de existência, a festa nunca registrou um único episódio de briga ou confusão. O evento começou há 37 anos de forma quase improvisada, tendo apenas duas edições canceladas devido à pandemia de covid-19. A tradição é tão forte que a festa atrai não só moradores locais, mas visitantes de estados como Goiás, Minas Gerais e o Distrito Federal.
Já Antônio Feitosa, que também está no rol de fundadores do baile, lembra que o grupo de infância iniciou as festas utilizando uma radiola de pilha e discos de vinil, já que a energia elétrica da cidade acabava às 22 horas naquela época.
“Hoje vem a família, os filhos, netos, tudo se fazem presente nesse baile com a mesma harmonia que iniciamos”, celebra o veterano.
O clima do evento reflete a intenção principal dos organizadores. A prioridade não é a arrecadação financeira, mas a manutenção de um ambiente capaz de aproximar pessoas que muitas vezes não se encontram no dia a dia. Durante a noite, o salão vira um espaço de convivência marcado por registros fotográficos e conversas.
Essa relação de respeito com o público exige atenção prática aos detalhes. O aposentado faz questão de visitar o local com antecedência para conferir a estrutura dos banheiros e ouvir as sugestões de quem frequenta o baile anualmente. Ele entende que a realização e a continuidade do projeto dependem da participação da comunidade.
“A festa não é minha, a festa é nossa”, conclui Wilson Paixão.
