📅 Publicado em 05/11/2026 08h28
Uma sessão de julgamento que se estendeu durante praticamente toda a quarta-feira (4) terminou com a condenação de Elias Borba Lima pela morte de Juscineide Pires Lima, conhecida popularmente como “Neidinha”, em São Domingos do Araguaia, a 50 Km de Marabá.
Ao final dos trabalhos do Tribunal do Júri, já durante a noite, realizado na Câmara Municipal de Vereadores, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade do acusado pelo crime de homicídio qualificado. A pena estabelecida pelo juiz Luciano Mendes Scaliza foi de 12 anos de reclusão.

O julgamento reuniu representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, testemunhas, familiares da vítima e amigos. Durante a sessão, foram apresentadas as teses da acusação e da defesa, além dos depoimentos de pessoas convocadas para esclarecer circunstâncias relacionadas ao assassinato ocorrido em 2024.
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Após a votação dos quesitos pelos jurados, o magistrado anunciou a sentença condenatória. Em entrevista concedida depois do encerramento da sessão, o magistrado Luciano Scaliza confirmou o resultado e explicou a decisão.
“A pena imposta na sessão de hoje foi de 12 anos de reclusão, uma vez que os jurados reconheceram a existência de autoria e materialidade imputável ao condenado, apontando o crime de homicídio qualificado”, declarou.
O magistrado também ressaltou que o julgamento representava uma etapa importante na busca por respostas sobre a morte de Neidinha. Durante a sessão, ele havia esclarecido que a responsabilização de um dos suspeitos não impediria o aprofundamento das investigações caso surgissem novos elementos.
“Hoje é o julgamento de um dos suspeitos de ter envolvimento com a morte dela. Caso ele não tenha envolvimento nenhum, as investigações continuarão. Podem surgir novos fatos que conduzam a investigação para outra autoria”, explicou o juiz, antes do desfecho do julgamento.
Negativa
Durante os debates em plenário, a Defensoria Pública apresentou a tese de negativa de autoria e pediu que Elias Borba Lima fosse absolvido. Segundo o defensor público Alisson Castro, responsável pela atuação no caso, o acusado sempre negou participação no assassinato e estava preso desde agosto de 2025, aguardando a realização do Tribunal do Júri.

A defesa também levantou questionamentos sobre a possibilidade de participação de outra pessoa no crime. Entre os argumentos apresentados estava a existência de um homem identificado como Raimundo, que, conforme relatado pelo defensor, teria mantido um relacionamento anterior com a vítima e histórico de ameaças de morte. A Defensoria questionou se essa possibilidade havia sido suficientemente investigada e argumentou que os elementos apresentados precisavam ser analisados com cautela pelos jurados.
Durante a instrução em plenário, foram ouvidas testemunhas de acusação, entre elas vizinhas e uma filha de “Neidinha”. Também prestaram depoimento o irmão e a irmã do acusado, arrolados pela defesa. Elias Borba Lima, por sua vez, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório, exercendo o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo. Apesar dos argumentos apresentados pela Defensoria, os jurados rejeitaram a tese absolutória e reconheceram a responsabilidade penal do réu pelo homicídio qualificado.
Réu se entregou
Um dos aspectos que ganharam destaque na trajetória do processo foi a apresentação de informações sobre uma suposta confissão do acusado.
Elias Borba se entregou às autoridades policiais no município de Itaguatins, no Tocantins, e permaneceu preso desde 1º de agosto de 2025, enquanto aguardava o julgamento.
Ainda conforme o relato atribuído ao réu, ele teria detalhado a dinâmica da agressão, mencionando inicialmente um golpe na região do pescoço da vítima, seguido de outros golpes que a deixaram gravemente ferida sobre a cama. A informação foi apresentada pelo assistente de acusação e ganhou relevância durante a contextualização do caso, embora a defesa tenha mantido a negativa de autoria perante o Conselho de Sentença.
O assassinato de Juscineide Pires Lima foi descoberto em 6 de dezembro de 2024, quando seu corpo foi localizado em avançado estado de decomposição sobre uma cama dentro da própria casa, no bairro Gabriel, em São Domingos do Araguaia.
“Neidinha” morava sozinha e não era vista desde a noite de 3 de dezembro. A ausência da mulher começou a preocupar familiares e pessoas próximas, até que uma conhecida decidiu verificar o que havia acontecido.
Por volta das 11h40 daquela sexta-feira, ela foi até a residência acompanhada por profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município. Ao chegarem ao imóvel, encontraram o portão apenas encostado, com a chave na fechadura pelo lado de dentro. Na área da casa também estava estacionada a motocicleta Honda Biz pertencente à vítima.
Inicialmente, as circunstâncias levantaram a possibilidade de que “Neidinha” tivesse morrido em decorrência de algum problema de saúde ou mal súbito. Entretanto, os exames realizados posteriormente apontaram para uma situação muito mais grave.
Após a remoção do corpo para o Instituto Médico Legal (IML), o exame de necropsia identificou um afundamento na região do crânio, provocado por ação contundente. Os elementos indicaram que a mulher havia sido vítima de uma agressão violenta. Uma enxada teria sido utilizada como instrumento do crime, conforme informações relacionadas à investigação.
