Correio de Carajás

BR-230: trecho crítico em Pacajá recebe reparo emergencial após tombamento de micro-ônibus

Na ausência do Dnit, maquinário de uma prefeitura foi usado para encascalhar a ‘Ladeira da Velha’

Desafios são imensos no ‘chão’ da Transamazônica, sobretudo nas ladeiras/Fotos: Divulgação
Por: Da Redação

Um trecho da BR-230, a Transamazônica, conhecido pelos motoristas como “Ladeira da Velha”, entre a Vila Arataú e Pacajá, recebeu esta semana um serviço emergencial de cascalhamento e compactação. A intervenção foi feita com máquinas da prefeitura de Pacajá, depois de relatos de caminhões com dificuldade para subir a ladeira e de veículos que estavam ilhados há dias no local.

O trabalho ocorreu em 1º de dezembro, um dia depois um micro-ônibus tombar na rodovia. O veículo transportava cerca de 30 pessoas de Novo Repartimento para Pacajá. Ao menos dez passageiros ficaram feridos. Uma possível falha no sistema de freios foi apontada inicialmente, mas as circunstâncias do acidente ainda dependiam de confirmação pelas autoridades.

A operação municipal mobilizou patrol, caçambas, escavadeira, caminhão-pipa e rolo compactador. O serviço incluiu a colocação de cascalho e a recomposição do trecho para permitir a circulação. Não houve anúncio de pavimentação asfáltica.

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“Esse trecho estava intrafegável”, disse o prefeito de Pacajá, André Rezende, ao explicar a decisão de levar os equipamentos ao local. Ele afirmou que o tráfego pela rodovia é importante para a chegada de mercadorias ao município e para o deslocamento de ambulâncias e veículos do transporte escolar, o que justificaria o emprego de recursos municipais.

DNIT

A BR-230 é uma rodovia federal, cuja manutenção cabe ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Questionado pelo Correio, o órgão informou que não há perspectiva imediata de asfaltamento da Transamazônica na região de Pacajá. Segundo a resposta, estão previstos apenas serviços de manutenção e recuperação.

A assessoria do DNIT também foi questionada sobre as críticas de motoristas e de políticos da região de Pacajá à condição da rodovia. A isso, a assessoria informou que avaliaria se responderia, mas não enviou posicionamento até o fechamento desta reportagem.

A situação do asfalto muda ao longo do trajeto para o oeste do Pará. O mapa gerencial do DNIT divulgado em julho de 2026 registra um trecho de 146,85 quilômetros entre os quilômetros 728 e 874,85 e outro de 124,95 quilômetros entre os quilômetros 874,85 e 999,8 como obras de pavimentação a licitar. Juntos, os segmentos somam cerca de 272 quilômetros sem asfalto, entre a região de Medicilândia e Rurópolis.

Em junho, o Ministério dos Transportes anunciou a abertura de licitação para pavimentar 124,95 quilômetros entre Uruará, Placas e Rurópolis, com investimento estimado em R$ 1 bilhão. O anúncio trata de uma etapa de contratação, não da conclusão das obras. O mapa do DNIT também indicava que os projetos para o lote de 146,85 quilômetros ainda estavam em elaboração.

Em maio, a Justiça Federal determinou, a pedido do Ministério Público Federal, que a União e o DNIT adotassem medidas emergenciais e estruturais no trecho não pavimentado entre Rurópolis e Medicilândia. A decisão exigiu diagnóstico técnico, reparos de manutenção e recuperação e a apresentação de um cronograma para as obras. O MPF havia relatado problemas persistentes de trafegabilidade, com riscos de acidentes e interrupções na rodovia.