Correio de Carajás

Amazônia Sem Moldura ganha prêmio a Marabá

Esquina do Cabelo Seco transformou-se em outdoor cultural com arte produzida por jovens do bairro
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Durante uma década, Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade de Cabelo Seco, transformou a pracinha e as ruas do bairro em uma ‘galeria do povo, sem as molduras da arte excludente’. A coleção de instalações artísticas mensais foi selecionada pelo Edital de Artes Visuais – Lei Aldir Blanc Pará 2020, na semana passada, com seu projeto ‘Amazônia Sem Molduras’, parte do projeto do Rios de Encontro 2021, Marabá Bem Viver.

“Publicamos poesia com fotos todo mês em outdoors e minidoors que retratam a vida ecológica, sociocultural, política e pedagógica, a partir do íntimo de Cabelo Seco”, explica Dan Baron, artista responsável, parte da coordenação do Rios de Encontro. “Mas ficou a dimensão mais desconhecida do projeto. Agora será compartilhada com Marabá e a região, fortalecendo Cabelo Seco como um território e guardião da cultura amazônica.”

Entre 2009-2020, Cabelo Seco vivenciou uma evolução inédita do grupo cultural de artistas infantis e adolescentes, as ‘Latinhas de Quintal’, se tornando o premiado Coletivo AfroRaiz de performance educadores. O Coletivo sensibilizou jovens e adultos de tantos bairros e escolas de Marabá, educadores, artistas e ativistas culturais em todas as regiões do país e, a partir de residências, conferências e turnês artísticas das Américas, Europa, África, Ásia e Pacífico. Tudo foi registrado em 8 livros-calendários, 110 vídeos (de 8 milhões de visualizações), e instalações de artes visuais.

Leia mais:
As Latinhas de Quintal se retratam na Galeria do Povo no palco da pracinha de Cabelo Seco antes de sua turnê nos EUA

“Foi tão intenso. Faltou tempo para compartilhar tudo que foi criado e aprendido. O Jornal Correio continua como parceiro no registro desse processo, destacando tanto o colapso climático que nossos jovens artistas alertavam, quanto os projetos alternativos de bem viver. Mas além de popularizar a poesia e valorizar a cultura afroindígena, os outdoors e minidoors mensais demonstraram a alfabetização ecológica na comunidade como base da educação pela sustentabilidade, enraizada na Amazônia. A pandemia comprovou tudo!”, avalia “, explica Dan Baron.

Como poeta, fotógrafo e artista visual, Dan Baron experimentou durante a década como inspirar e celebrar a comunidade, sempre em consulta com as famílias dos participantes, colocando poemas e retratos sobre a vida de Cabelo Seco nas camisetas das bicicletadas e dos festivais do projeto.

“Vamos criar uma exposição que garanta que Cabelo Seco e todas as escolas de Marabá terão acesso à sabedoria ecológica pescadora para questionar o projeto ‘ecocidal’ da atual industrialização da Amazônia, e para continuar criando o projeto de bem viver, e inspirando comunidades na região, no País e no mundo a tornarem-se guardiões do ecossistema mais importante que temos”.

“Vamos criar duas bolsas com esse prêmio para que adolescentes de Cabelo Seco possam colaborar na idealização da exposição online e presencial na Casa dos Rios. Esperamos que a Amazônia Sem Molduras celebre a criatividade de crianças, jovens e mestres na comunidade ribeirinha, fortaleça sua autoconfiança para defender a riqueza de seu território e abra horizontes de esperança, em tempos de ecocídio”, diz ele.

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