Correio de Carajás

AfroMundi prega esperança em tempos de pandemia

Camylla Alves explica o coquinho para uma roda perguntas no festival virtual na Alemanha

SEM ECOCÍDIO

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“Em uma Amazônia que já está tossindo rios voadores de cinzas e gases de carbono, a esperança e a utopia ainda são possíveis?”

 Com essa pergunta, Camylla Alves e Dan Baron estrearam o novo espetáculo “A Baleia e a Dançarina”, da Cia da Dança, Afro Mundi, e abriram o Festival Nacional de Teatro Educação, Pare Ecocídio: Abrace Bem Viver, na cidade de Ulm, na Alemanha, no Dia Mundial da Árvore. Após uma semana de rodas de conversa com alunos de Alemanha e Rússia, a dança vídeo é lançada no Brasil, com jovens do mundo declarando emergência climática na véspera do COP26, Conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima.

Contemplado pela Lei Aldir Blanc (2020), por meio do Edital de Dança da Secult/Pará, e Cultura em Movimento (Secult, Marabá), e ainda pelo prêmio Arte e Ecologia (Instituto Zé Cláudio e Maria Silva), a Baleia e a Dançarina responde a essa pergunta “numa sala de cimento com janela gradeada, olhando para o fim do mundo”. O sexto espetáculo da Cia AfroMundi, a terceira colaboração entre a solista Camylla Alves e o diretor artístico Dan Baron, foi criado em tempos de pandemia, por meio do Zoom.

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“É muito mais que vídeo-dança. É um filme contemporâneo que transborda fronteiras nacionais e artísticas. Quem teria imaginado isso em 2012 quando Camylla começou sua pesquisa sobre sua raiz afro, como bolsista adolescente?”, questiona Manoela Souza, gestora e consultora artística de AfroMundi.

Camylla explica que essa colaboração emergiu num sonho que ela relatou para Dan Baron às 4 horas da madrugada, em novembro de 2020. “Sonhei com uma baleia e, na barriga dela, encontrei nosso projeto, e todos nós, roubados de nosso futuro”.

Dan logo respondeu: “isso é nosso próximo espetáculo, sobre as origens do ecocídio que vem provocando a pandemia”.

Depois de dois cursos de formação em dança com as colaboradoras do Rios de Encontro, Cristina Guttierez e Simone Fortes, para criar uma linguagem capaz de evocar o fim do mundo, Camylla iniciou com Dan Baron. “Descobri que a baleia simboliza a memória do planeta e aparece na véspera de mudança profunda. Junto com Dan, transformamos minha salinha de 3m x 2m com apenas uma janela, em um laboratório de pesquisa e palco mundia”, relata Camylla.

Ao longo de seis meses, três horas por dia, eles experimentaram para criar uma narrativa psicoemocional, que exigiu coragem em Camylla, olhar às questões que poucos querem enxergar. “Desde 2013, vimos dramatizando o colapso climático na Amazônia. Mas nessa obra, Camylla revelou as origens do mundo sem ar, através da história da pesca. Até se pintou, inteiramente, com o grafismo Kayapó, para sentir na pele suas raízes indígenas ecológicas. O espetáculo descobre uma verdadeira esperança, na determinação dela de viver sua raiz”, esclarece Dan.

Nas rodas e oficinas virtuais, os jovens da Alemanha e Rússia ficaram indignados com o descuido fascista no Brasil, que causa enchentes e incêndios nos países deles. Se inspiraram muito nas obras daqui. “Eu fiquei tocada pela lucidez deles, mas chocada pelo pavor dos russos que gritaram: muda o assunto, já por favor! Não temos o direito democrático de questionar! Juntamos através da solidariedade com a Mãe Terra. E concordamos. O tempo de gritar, já passou. Agora, precisamos criar nosso próprio bem viver comunitário”, finaliza Camylla.

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