Mesmo o leitor mais apaixonado pode se deparar com a famigerada ressaca literária. Hoje quero compartilhar o que me ocorreu nas últimas semanas. Depois de dedicar um período prolongado à leitura de obras clássicas inglesas das escritoras Emily e Anne Brontë: O Morro dos Ventos Uivantes, Agnes Grey e A Inquilina de Wildfell Hall, tive dificuldade em começar um novo livro, o que raramente me acontece. Costumo terminar um livro à noite e iniciar outro na tarde seguinte; sempre tenho um livro à minha espera. Contudo, desta vez foi diferente. Foi deste período no limbo que surgiu a temática desta coluna de hoje.
Há diversas razões que ensejam a ressaca literária, das quais se pode citar: a leitura de um livro muito bom ou a insistência na leitura de um livro de que não estamos gostando; após esses dois acontecimentos, nos vem a dificuldade de concentração e até mesmo a falta de vontade de ler.
Antes, eu insistia na leitura, mesmo com dificuldade em me envolver com a nova narrativa. Em alguns momentos, sentia-me presa aos personagens e sentimentos presentes no livro encerrado. Agora compreendo e respeito a exigência do meu cérebro e coração em pausar de uma narrativa que demandou minha atenção completa por vários dias ou até semanas.
Leia mais:Ao vivenciar uma ressaca literária, é importante que o leitor respeite essa pequena e temporária pausa, uma vez que a leitura de ficção é, na maioria das vezes, um hobby, como é meu caso, leio por prazer. Não devemos nos impor a leitura quando precisamos dessa pausa. A insistência pode até mesmo fazer com que nós, leitores, abandonemos um livro diante da dificuldade de conexão com a nova história; algumas vezes sequer conseguimos sair das primeiras páginas.
Um livro que pode deixar um leitor ávido em uma profunda ressaca literária é O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. Este romance visceral é impossível de sentir seu impacto, uma obra em que tudo é extremamente intenso: o amor, o ódio, a obsessão, a vingança, a humilhação, o medo, a covardia, a violência. Além disso, seus personagens apresentam alta complexidade psicológica, o que exige de nós, leitores, mais dedicação durante a leitura para melhor compreensão dos fatos e sentimentos dos personagens. Outro título do qual, quando li, não consegui sair imediatamente da história foi Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Cheguei a sentir saudade da fictícia Macondo e seus acontecimentos maravilhosos.
Com o tempo, compreendi que, após a leitura de livros como o de Emily Brontë e Cem Anos de Solidão, preciso de um livro de abordagem intimista, obras que mergulham no universo feminino. Temáticas como a maternidade costumam me resgatar da ressaca literária. Aliada à temática, está a extensão da narrativa: livros curtinhos podem nos ajudar a retomar a vontade de ler e a concentração.
Além disso, há um gênero que é capaz de curar a ressaca de qualquer leitor: os suspenses e thrillers psicológicos. Sim, às vezes é preciso mudar de gênero e até mesmo buscar livros com outras estruturas narrativas, como é o caso das histórias em quadrinhos (HQs). Outra dica é a leitura de um conto, um gênero narrativo mais curto e menos denso, que pode ajudar o leitor a voltar a viajar pela literatura após o famigerado período de ressaca.
Aqui vou indicar 2 livros que conseguem manter nossos olhos presos em suas páginas da primeira à última, os suspenses/thrillers psicológicos: UMA MULHER NO ESCURO (2019), de Raphael Montes, e A PACIENTE SILENCIOSA (2019), de Alex Michaelides. O suspense é o gênero que conduz o leitor por reviravoltas, mistérios, tensão e revelações surpreendentes, tirando o fôlego do leitor a cada virada de página. Dois livros capazes de curar qualquer ressaca! Até a próxima, queridos e queridas leitoras.
* A autora é graduada em Letras pela UFPA; bacharela em Direito pela Unifesspa e leitora voraz, por amor e vocação.
Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.

