Correio de Carajás

Expoama movimenta mais de R$ 100 milhões e reforça importância do Agro

Balanço aponta que 176 mil pessoas passaram pelo parque e que os negócios gerados vão além da pecuária

O público expressivo fez desta umas das maiores edições da Expoama - Foto: Ulisses Pompeu
Por: Kauã Fhillipe

Portões abertos, grande público, negócios fechados e uma cidade inteira envolvida. O balanço da 38ª Exposição Agropecuária de Marabá, a Expoama, aponta que a feira movimentou mais de R$ 100 milhões em negócios realizados e prospectados ao longo dos cinco dias de programação. O número dá a dimensão do impacto do evento na economia local.

Os dados foram apresentados por Diego Carvalho, organizador e representante do Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá (SPRM), durante participação no programa do radialista Antônio Marcos, na tarde desta sexta-feira (25), na Correio FM. De acordo com o balanço, mais de 176 mil pessoas passaram pelo Parque de Exposições José Francisco Diamantino durante a programação.

Os números dão a dimensão da festa: foram mais de 150 estandes, 10 apresentações, 12 palestras e oficinas e sete leilões. Aproximadamente 1.080 pessoas trabalharam direta ou indiretamente na realização da feira. Para além dos números, a Expoama movimentou diferentes setores da economia de Marabá. Hotéis, restaurantes, lojas, ambulantes, motoristas de aplicativo e comerciantes instalados dentro e fora do parque sentiram o aumento no fluxo de pessoas durante o evento.

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Cavalgada

Um dos primeiros sinais dessa movimentação foi a tradicional cavalgada, realizada no dia 12. Neste ano, o percurso foi reduzido por questões relacionadas ao bem-estar animal e às condições climáticas. A mudança, porém, não impediu uma participação expressiva.

Segundo Diego, a competição reuniu grande variedade de animais e comitivas, que concorreram a R$ 40 mil em prêmios. A avaliação levou em consideração critérios como a organização dos tropeiros, a estrutura das carroças, a condução dos animais e a apresentação das comitivas.

A participação popular também chamou a atenção: pela primeira vez, a cavalgada foi transmitida ao vivo pela Correio FM, ampliando o alcance do evento para além das ruas percorridas pelos participantes.

A feira

A entrada gratuita, adotada pelo sindicato há três anos, foi mantida em 2026. Segundo Diego, a proposta é permitir que o público tenha acesso aos shows e às demais atrações sem pagar ingresso nem ficar restrito a áreas específicas.

A programação reuniu artistas nacionais e regionais, além de um rodeio com premiação superior a R$ 50 mil. A competição também foi transmitida pela BRTV Max, emissora que, segundo a organização, levou imagens da feira a outros públicos.

Na praça de alimentação do parque, comerciantes esgotaram os produtos antes da meia-noite e precisaram repor os estoques. Ao mesmo tempo, empresas de diferentes segmentos usaram os estandes para apresentar produtos e fechar negócios.

Os sete leilões realizados durante a feira movimentaram aproximadamente R$ 14 milhões. Diego explicou que, embora o valor tenha ficado abaixo do registrado no ano anterior, houve uma mudança no perfil dos negócios, com maior presença de animais destinados ao melhoramento genético dos rebanhos. “Hoje Marabá é o terceiro maior rebanho do país, é referência aonde passa. Você procura em Goiás, no Tocantins uma exposição que tem sete leilões, não tem. A nossa conseguiu fazer sete leilões e, para o ano, acho que aí vai ter até oito”, projeta.

Foram sete os leilões comerciais este ano e a diretoria projeta oito para o ano que vem

Além dos leilões, a organização contabiliza negócios envolvendo imóveis, veículos, insumos, equipamentos, tecnologia, drones, suplementos, planos de saúde e outros produtos e serviços. A estrutura empresarial também cresceu: mais de 150 estandes foram ocupados no parque, número que, segundo a organização, chegou perto do limite físico disponível.
Marabá como vitrine

Além do balanço da edição, Diegão já revela outros eventos no Parque de Exposição

Para Diego, o crescimento da Expoama acompanha o peso de Marabá na cadeia do agronegócio. Além da pecuária, a feira passou a reunir empresas ligadas à tecnologia, máquinas, serviços, crédito, alimentação e a outros setores relacionados ao campo. A presença de empresas de outros estados também é apontada como reflexo dessa visibilidade. Segundo ele, representantes de São Paulo, Goiás, Tocantins e Mato Grosso já demonstraram interesse em participar da próxima edição.

A Expoama também cumpre, na avaliação de Diego, um papel de aproximação entre o meio rural e a cidade. “A Expoama conecta o povo do campo com a cidade e a cidade com o campo. A gente sabe que tem que colocar a comida na mesa, porque isso é o que o agro faz, através da pecuária, através da agricultura familiar, mas também economicamente, fazer com que as empresas tenham um braço forte lá.”

Cerca de 176 mil pessoas acompanharam os eventos com portas abertas

ExpoMel

A programação deste ano também ampliou o olhar para outras atividades do campo. Dentro da Expoama, a organização promoveu a ExpoMel, com palestras e atividades relacionadas à apicultura, incluindo a criação de abelhas com e sem ferrão. A proposta foi apresentar ao público alternativas de produção e geração de renda além da pecuária tradicional.

A ExpoMel foi um dos destaques durante a feira

Diego destacou a intenção de ampliar, nos próximos anos, o espaço destinado a atividades como agricultura familiar, apicultura e suinocultura. A participação do Congresso Paraense de Apicultura e Meliponicultura (Apipará), ligado à cadeia do mel, também simbolizou essa diversificação da feira, que historicamente teve a pecuária como principal eixo.

Próximos eventos

Encerrada a Expoama, o Parque de Exposições José Francisco Diamantino volta a integrar o calendário de atividades do sindicato. Entre os próximos projetos está a ExpoAuto, prevista para novembro e voltada ao setor automotivo, com foco na comercialização de veículos seminovos. A organização também prepara a Expoama Mix, que pretende levar ao espaço outros segmentos comerciais.

A estratégia é manter o parque ativo durante o ano e ampliar a conexão entre os eventos promovidos pelo sindicato e o comércio de Marabá. A avaliação da organização é de que o impacto da Expoama não termina quando os portões do parque se fecham. Durante a feira, hotéis registraram alta procura, restaurantes receberam mais clientes, motoristas de aplicativo tiveram novas corridas e lojas aproveitaram o movimento para criar promoções voltadas ao público do evento.

 

Diego resume esse efeito como uma espécie de cadeia econômica que se espalha pela cidade. “A Expoama conecta todo mundo. Ganha rádio, ganha ambulante, ganha motorista, ganha os restaurantes, hotéis… A gente precisa de mais eventos que conectem a cidade, que façam esse eixo mover realmente e todo mundo ganha”, afirma.

Com 38 edições realizadas, a Expoama chega ao fim de 2026 com a promessa de uma estrutura ainda maior no próximo ano. Os números apresentados resumem a edição: 176 mil pessoas, mais de 150 estandes, sete leilões, 10 apresentações, 12 palestras e oficinas e aproximadamente 1.080 trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente. Segundo a organização, a feira movimentou R$ 100 milhões.