Correio de Carajás

Colesterol alto: o inimigo silencioso

Especialista relata que o colesterol elevado não causa dor, não dá sinais imediatos, mas pode mudar vidas de forma dramática

Representação 3D de uma artéria bloqueada por placas de gordura ao lado de um coração humano e estetoscópio.
✏️ Atualizado em 06/08/2026 15h19

Com mais de 40 anos, ele já sofreu cinco infartos e passou por diversas cirurgias cardíacas. Diabético, é acompanhado de perto pela endocrinologista Alana Ferreira de Oliveira, que monitora rigorosamente seus níveis de colesterol. Um dos principais vilões silenciosos por trás de problemas cardiovasculares graves.

Segundo a especialista, o colesterol não é um vilão: ele desempenha funções essenciais, como compor membranas celulares e participar da produção de hormônios. O problema surge quando há excesso de LDL, o chamado “colesterol ruim”, que pode se acumular nas artérias e aumentar o risco de infarto e AVC. Já o HDL, conhecido como “colesterol bom”, ajuda a remover esse excesso, funcionando como um protetor natural.

Prevenção e Controle do Colesterol

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No dia 8 de agosto, quando celebra-se o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, a médica e professora da Afya Marabá, reforça a importância de cuidar da saúde cardiovascular e adotar hábitos que previnem complicações graves.

Segundo a médica Alana Ferreira, o colesterol é uma doença silenciosa: não causa dor nem desconforto, mas pode levar a complicações fatais ou incapacitantes. “O problema não é o agudo, e sim o crônico durante longos períodos”, explica. O exame fundamental para identificar alterações é o lipidograma, que mede colesterol total, frações e triglicerídeos. Ele pode ser indicado já na infância em casos de obesidade ou histórico familiar de infarto precoce. Na vida adulta, deve fazer parte do check-up a partir dos 18 anos, especialmente em pessoas com diabetes, hipertensão ou excesso de peso.

A endocrinologista lembra que as alterações podem ser genéticas (primárias) ou secundárias a outras doenças. Nos casos genéticos, mesmo com bons hábitos, o colesterol permanece elevado, tornando o uso de medicamentos indispensável. A decisão entre apostar apenas em mudanças de hábitos ou iniciar medicação depende da história clínica do paciente.

Jovens sem doenças crônicas podem tentar ajustes na alimentação e atividade física, com reavaliação posterior. Já indivíduos com múltiplos fatores de risco, como diabetes, hipertensão e obesidade, precisam de tratamento medicamentoso precoce. “Não há receita de bolo. O tratamento é individualizado”, afirma a médica. Ela destaca que valores de LDL acima de 190 já indicam possível doença genética e necessidade de medicação imediata.

O colesterol elevado não afeta apenas o coração e o cérebro. Segundo a especialista, triglicerídeos altos podem causar pancreatite e esteatose hepática. Já o LDL elevado leva à aterosclerose, que pode resultar em infarto, AVC, isquemia renal, intestinal e até amputações em casos de doença arterial periférica.

“Quando a sociedade entende a evolução natural da doença e as consequências do não tratamento, passa a ser protagonista da própria saúde”, destaca. Para a Dra. Alana, o maior desafio é a conscientização da população. Como o colesterol não causa sintomas, muitos negligenciam o tratamento.