Correio de Carajás

Pecuária: Pará perde a sagacidade e empreendedorismo de Maurício Fraga

Por: Patrick Carvalho

A pecuária paraense perdeu na última semana um de seus pioneiros e empreendedores. Aos 91 anos, morreu em São Paulo o pecuarista Maurício Pompéia Fraga, cuja trajetória se confunde com a expansão da atividade no Sul do Pará. Ele foi sepultado no dia 17 de setembro, no Cemitério São Paulo.

Nascido em São Paulo, em 24 de dezembro de 1934, Maurício Fraga pertencia à quarta geração de produtores rurais da família, de origem portuguesa. Antes de se dedicar integralmente ao campo, formou-se em Direito e exerceu a advocacia. Também foi produtor de leite e cafeicultor em Bauru (SP).

Em 1973, iniciou a abertura da Fazenda Porangaí, na área que hoje pertence ao município de Xinguara. A decisão de investir no Pará foi tomada depois de observar a experiência de amigos paulistas, entre eles os irmãos Quagliato e os irmãos Rosso, que também ajudaram a formar a pecuária regional. No início dos anos 1980, Fraga vendeu os bens que mantinha em São Paulo e transferiu seus investimentos para o Pará.

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Em 1988, começou a abertura da Fazenda Rita de Cássia, hoje localizada em Eldorado do Carajás. Mais tarde, comprou a Fazenda Sinhá Moça, no mesmo município. Seus negócios também alcançaram outros municípios do Estado, como Piçarra e Marabá.

Pioneiro na adoção de tecnologias, Maurício Fraga já utilizava o pastejo rotacionado na década de 1970. Nos anos 1980, implantou a estação de monta e, na década seguinte, desenvolveu um grande projeto de inseminação artificial. Atento aos números e ao mercado financeiro, acompanhava com interesse especial o mercado futuro do boi, tema frequente em suas conversas e decisões empresariais.

O legado também permanece na família. Maurício e a esposa, Rita de Cássia Costa Pompéia Fraga, eram casados desde 5 de maio de 1963. O casal teve quatro filhos: Maria Cristina Fraga Araújo, Maurício Pompéia Fraga Filho, Ana Maria Costa Pompéia Fraga e Maria Teresa Costa Pompéia Fraga. Hoje, filhos e netos seguem ligados à produção rural no Pará. Ao longo dos anos, ele costumava receber os 11 netos na fazenda durante as férias. Também deixa cinco bisnetos.

A morte repercutiu entre representantes da pecuária brasileira. Durante a cerimônia de encerramento da Beef Week 2026, em São Paulo, no dia 18 de setembro, o pecuarista Roque Quagliato, um dos homenageados do evento, dedicou parte de seu discurso à memória do amigo, com quem conviveu por mais de 50 anos.

“Fomos juntos para o Pará, acreditando naquela terra e na força da pecuária”, afirmou Quagliato. Segundo ele, Maurício “fez da pecuária uma verdadeira devoção” e dedicou à atividade “sua vida, seus investimentos e sua inteligência”. Ao receber a homenagem, concluiu: “Faço questão de também homenagear a memória desse grande amigo e companheiro de jornada”.

Em mensagem divulgada em nome da Federação da Agricultura do Estado do Pará, o presidente licenciado do Sindicato Rural de Xinguara, Joel Lobato, afirmou que a trajetória de Maurício Fraga se confunde com a história do desenvolvimento de Xinguara e do Sul do Pará. Lobato lembrou que o pecuarista foi advogado, produtor, empreendedor e pioneiro, além de um dos homens que acreditaram na região, investiram em sua terra e contribuíram para o desenvolvimento local.

Maurício Fraga deixa a esposa, quatro filhos, 11 netos e cinco bisnetos, além de uma história marcada pela dedicação à pecuária, pela inovação no campo e pela aposta no futuro do Pará.

Maurício Fraga em montaria com os netos na fazenda