Correio de Carajás

Mais uma ponte é interditada pelo Dnit e condenada: desta vez no Rio Tocantins

Desta vez a ponte faz travessia entre Pedro Afonso e Tupirama, inaugurada com status de pilar econômico regional em dezembro de 2007

Por: Da Redação

A comunidade do Norte do País segue perplexa com a grande quantidade de pontes interditadas e condenadas após vistorias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e que deverão ser demolidas e reconstruídas. Ainda mais por serem obras cronologicamente recentes, com menos de duas décadas. Depois das ocorrências de Marabá (pontes sobre o rio Itacaiunas) e Palestina do Pará (ponte do Araguaia), agora é a vez de uma importante ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, no município de Pedro Afonso (TO).

A travessia entre Pedro Afonso e Tupirama, inaugurada com status de pilar econômico regional em dezembro de 2007, apresentou danos irreversíveis após apenas 18 anos de uso. A interdição total e a decisão de demolição foram anunciadas após a conclusão de um laudo técnico contundente emitido nesta sexta-feira (17).

O documento atesta o comprometimento irrecuperável das fundações dos apoios centrais da ponte, descartando qualquer possibilidade de reforma ou reabilitação segura da estrutura atual. A obra, batizada oficialmente de Ponte Prefeito Leôncio Miranda, custou aos cofres públicos R$ 92,7 milhões, financiados em uma parceria entre os governos estadual e federal iniciada em 2005.

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A condenação da ponte no Tocantins foi embasada em duas etapas rigorosas de investigação. Na primeira fase, realizada entre 8 e 10 de julho, a estrutura foi submetida a uma prova de carga severa: caminhões pesando um total de 360 toneladas foram posicionados no centro do vão principal. Os sensores instalados revelaram que a ponte sofreu deformações e não retornou à sua posição original após a remoção do peso, evidenciando a perda de sustentação e estragos permanentes nos pilares e nas bases. Na segunda fase, exames laboratoriais conduzidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, explicaram a raiz do problema. As análises do concreto revelaram patologias químicas graves e definitivas, conhecidas tecnicamente como reação álcali-agregado e formação de etringita tardia.

Diante do diagnóstico de desgaste irreversível, o DNIT confirmou que, seguindo as diretrizes do Programa de Reabilitação de Obras de Arte Especiais (Proarte), a ponte será integralmente reconstruída. Enquanto o projeto executivo da nova obra é elaborado, o trecho permanece totalmente bloqueado para a passagem de veículos. O órgão federal avalia a realização de intervenções preparatórias de curto prazo que possam permitir, futuramente, a liberação pontual do tráfego exclusivo para veículos leves, como carros de passeio e motocicletas.

Essa viabilidade técnica passará por uma nova reavaliação no prazo de 15 dias. Até que haja uma definição sobre liberações parciais, o fluxo rodoviário está sendo desviado por rotas alternativas divulgadas pelo departamento, abrangendo trechos das rodovias BR-153, TO-239, TO-010 e BR-010, incluindo a travessia por balsa no município de Itapiratins. A fiscalização e a manutenção do bloqueio nos acessos da BR-235 são executadas em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

PONTE DO ITACAIUNAS

O caso de Pedro Afonso não é um evento isolado, mas soma-se a um preocupante cenário de colapso infraestrutural na região Norte, afetando diretamente a logística e a economia dos estados do Pará e do Tocantins. A crise das estruturas rodoviárias ganhou notoriedade recente com a situação crítica das pontes sobre o Rio Itacaiunas, localizadas na rodovia Transamazônica (BR-230), no perímetro urbano de Marabá, no sudeste do Pará. O DNIT já confirmou que as duas travessias existentes no local serão implodidas e substituídas por novas estruturas.

A decisão drástica em Marabá ocorreu após mais de seis meses de análises da equipe técnica. O cenário é alarmante: a medida atingirá tanto a estrutura mais recente, com cerca de 16 anos, quanto a mais antiga, que já ultrapassa quatro décadas de existência. Segundo o departamento, a ponte mais nova apresenta problemas estruturais considerados irreversíveis, inviabilizando qualquer tentativa de recuperação. Já a estrutura mais antiga sofre com o desgaste natural e fadiga dos materiais, operando há anos muito acima da capacidade de carga originalmente prevista.

O plano do governo federal prevê a implosão da ponte mais recente em um primeiro momento. Durante esse período de obras, a ponte antiga deverá funcionar em sistema de mão dupla, concentrando todo o intenso fluxo de veículos da rodovia. Após a conclusão e entrega de uma nova estrutura, a ponte mais antiga também será demolida e substituída. O custo estimado para a construção de cada nova ponte no Rio Itacaiunas gira em torno de R$ 120 milhões.

A situação em Marabá tornou-se tão grave que demandou a intervenção do Ministério Público Federal (MPF) e do Poder Judiciário. A Justiça Federal acatou o pedido do MPF e determinou medidas urgentes, impondo a restrição da circulação de veículos de carga de grande porte na ponte sobre o Rio Itacaiunas, além de exigir a apresentação de um cronograma claro de obras e o reforço na fiscalização.

O Ministério Público Federal apontou falhas graves na fiscalização e um risco estrutural iminente, chegando a cobrar uma indenização de R$ 1 milhão devido à insegurança gerada para a população e para os motoristas que trafegam pela região.

PONTE TRANSARAGUAIA

Agravando ainda mais o estrangulamento logístico da região, a Ponte Transaraguaia, outra conexão vital da BR-230, localizada na divisa entre Palestina do Pará (PA) e Araguatins (TO), também foi interditada e condenada à demolição. A estrutura de 900 metros de extensão, que custou cerca de R$ 71 milhões aos cofres públicos, foi inaugurada há apenas 16 anos.

O DNIT confirmou a interdição total da travessia após investigações detalhadas, realizadas entre fevereiro e abril de 2026, revelarem um quadro de deterioração severa nos blocos de fundação e nos pilares do trecho central, responsáveis por sustentar o vão principal sobre o canal do rio.

A exemplo do que ocorreu na ponte de Pedro Afonso, a Ponte Transaraguaia foi submetida a inspeções visuais, ensaios com ultrassom, extração de amostras de concreto e provas de carga. As análises constataram que a estrutura não possui mais condições seguras de uso.

O edital de licitação para a reconstrução da Ponte Transaraguaia, inserido no escopo do programa PROARTE, está programado para ser publicado no final de junho de 2026. Enquanto a nova obra não sai do papel, a ligação entre os dois estados depende de rotas alternativas longas ou da contratação emergencial de balsas para a travessia do Rio Araguaia.