Dizem que os opostos se atraem. No futebol, talvez eles precisem um do outro para produzir histórias que sobrevivem ao tempo.
A Espanha chega à final como uma orquestra. Ninguém toca mais alto do que ninguém. O protagonista é o passe, o espaço vazio, o companheiro melhor colocado. Seu futebol é refinado, coletivo, quase didático. Contra a poderosa França, transformou um jogo que prometia equilíbrio em uma demonstração de autoridade.
A Argentina, por sua vez, parece viver de outra matéria-prima. É um time que se recusa a perder. Joga como quem acredita que toda partida permanece aberta até o último apito. Tem a alma competitiva de um povo acostumado a transformar sofrimento em combustível e a liderança de Lionel Messi, um jogador que, para muitos, ocupa sozinho o lugar mais alto da história do futebol.
Leia mais:De um lado, a beleza da construção coletiva. Do outro, a força da convicção quase obstinada.
Talvez seja por isso que esta final desperte tanto fascínio. Porque não coloca frente a frente apenas duas seleções extraordinárias, mas duas maneiras de entender o jogo. A Espanha acredita que o futebol é uma obra escrita a muitas mãos. A Argentina confia que, mesmo quando tudo parece perdido, sempre existe alguém capaz de mudar o destino.
No domingo, uma levantará a taça. Mas, antes disso, o mundo terá o privilégio de assistir ao encontro dos opostos. E, como acontece nas melhores histórias, é justamente dessa diferença que nasce a grandeza.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
