Correio de Carajás

Filhotinho de onça-pintada aprende a nadar ao lado da mãe

Xingu que nasceu no BioParque Vale Amazônia deverá ser apresentado ao público na programação de férias agora em julho

Filhote de onça-pintada caminhando sobre folhas secas em uma floresta
Foto: Nereston de Camargo
✏️ Atualizado em 16/07/2026 09h57

Agora com seis meses completos, Xingu começa a explorar novos espaços no BioParque Vale Amazônia. O filhote de onça-pintada já passa alguns períodos na área externa do recinto de exposição, onde dá os primeiros passos em uma fase de descobertas: aprende a nadar, escalar e correr sempre sob o olhar atento da mãe, Marília. A expectativa é que o público possa conhecer Xingu e acompanhar alguns momentos desse período de adaptação durante a programação de férias do BioParque, neste mês. O filhote de onça-pintada já passa por adaptação gradual ao recinto maior, acompanhado pela mãe, em momentos fora do horário de visitação pública.

Xingu é o sétimo filhote de onça-pintada nascido na unidade. De genética de cerrado, é filho de Marília e Zezé de, que já faziam parte do plantel do BioParque. Os pais da oncinha chegaram ao BioParque vindos de Goiás. Sua mãe Marília foi resgatada de cativeiro ilegal e seu pai Zezé nasceu em instituição em Goiás, filho de pais resgatados assim como Marília de cativeiro ilegal de animais silvestres.

Por terem sido retirados do habitat natural e mantidos sob influência humana, eles não podem ser reintroduzidos na natureza — situação comum em casos de apreensão, quando o animal perde habilidades essenciais para sobreviver em vida livre. Hoje, sob cuidados permanentes, o casal assim como Xingu integram o plantel e ajudam a reforçar, junto ao público, a importância do combate ao tráfico e da preservação da fauna.

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 “O nascimento de Xingu é considerado um marco para a conservação da espécie. Aqui no BioParque é feito trabalho contínuo para garantir bem-estar físico e comportamental às espécies com condições adequadas para a sua reprodução e desenvolvimento. Agora ele chegou numa idade de aprendizados com a mãe. A ampliação do espaço permite que ele explore mais o ambiente e aprenda com a mãe etapas importantes, como nadar, escalar, correr e afiar as unhas nos troncos das árvores. Aos seis meses, ele está agora em adaptação ao recinto maior, em um processo gradual de crescimento e aprendizagem”, explica Nereston de Camargo, veterinário do BioParque Vale Amazônia.

Sétimo filhote de onça nascido no BioParque

 A gestação da onça-pintada dura entre três e quatro meses e, em geral, resulta no nascimento de até dois filhotes. Nos últimos doze anos, o BioParque Vale Amazônia contabiliza sete registros de nascimento. Em 2014 vieram ao mundo Thor e Pandora (genética amazônica); dois anos depois nasceram as irmãs Sheila e Leila (onças-pintadas melânicas de genética amazônica); e em 2022, o parque celebrou o nascimento de um casal de filhotes Rhudá e Rhuana (genética do cerrado).  Xingu é o sétimo, terceiro de cerrado.

 “.O nascimento de um animal ameaçado de extinção reforça a importância de projetos de conservação da biodiversidade. No BioParque Vale Amazônia. E é motivo de orgulho ver que esse esforço responsável tem gerado resultados concretos para a conservação da fauna brasileira”, afirma Nereston de Camargo, veterinário do BioParque Vale Amazônia.

 Ao atingir a fase adulta, a onça-pintada, que é o maior felino das Américas, pode chegar até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros altura, podendo atingir 135 quilos.

Referência em Conservação

 Ao longo de 41 anos de história, o BioParque Vale Amazônia consolidou-se como um dos principais centros de pesquisa, conservação e educação sobre a fauna silvestre no Brasil. O espaço já registrou nascimentos de diversas espécies ameaçadas de extinção, como Ararajuba, Arara-Azul, Jacupiranga, Mutum-de-Penacho, Gavião-Real, Onça-Pintada (pelagem amarela e melânica), Onça-Parda, Queixada, Caititu, Guariba-de mãos-ruivas e Anta.

 Nos últimos anos, o parque também foi pioneiro no Brasil ao reproduzir uma harpia em exibição e contribuiu com o Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém. Atualmente, o BioParque abriga cerca de 360 animais de 67 espécies da fauna silvestre, entre aves, mamíferos e répteis, incluindo espécies raras ou ameaçadas de extinção.

Estrutura e parcerias

O BioParque faz parte da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e atua com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas (ICMBio), além de seguir metas nacionais e internacionais voltadas à preservação da biodiversidade.

 O espaço é parceiro de instituições governamentais como ICMBio e IBAMA, recebendo animais oriundos de apreensões contra o tráfico de fauna silvestre. Conta ainda com uma equipe especializada formada por biólogos, veterinários, botânicos e analistas ambientais.

 O cuidado diário também é destaque: uma equipe de tratadores se dedica à limpeza dos recintos e ao preparo da alimentação dos animais. Por mês, cerca de uma tonelada de alimentos é preparada conforme a dieta especial de cada espécie, incluindo frutas, carnes, peixes, ração e amêndoas.

Escolha do nome

Após mobilizar pessoas em uma votação online, o BioParque Vale Amazônia anunciou em 29 de março de 2026, o nome do filhote Xingu. A escolha foi revelada durante a programação que celebrou os 41 anos do parque, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas.

Ao todo, a votação recebeu mais de 28 mil votos. Os nomes disponíveis tinham origem indígena e faziam referência a importantes rios da Amazônia. O nome Xingu foi o mais votado, com mais de 56% dos votos. Em seguida aparecem Solimões com 27,7% do votos e Tapajós com 16,3%. Xingu é uma onça-pintada macho, com genética do Cerrado, nascida a partir de um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do parque.

(Divulgação)