Correio de Carajás

Vinícius Gatti chora ao depor e diz que sofre com depressão desde que matou Fabbllu Ohara

Acusado pela morte do estudante Fabbllu Ohara, Vinícius Nogueira Gatti emocionou-se ao relatar o impacto do caso em sua vida e a perda dos pais durante o processo.

Homem de camiseta branca segurando microfone, olhando para o lado.
Vinícius Gatti: “Sofro com depressão e hoje só durmo com remédio”
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 16/04/2026 15h33

O julgamento de Vinícius Nogueira Gatti, acusado pela morte do estudante de Direito Fabbllu Ohara de Lima Gonçalves, ocorreu nesta quinta-feira (16) no Tribunal do Júri, em Belém. Durante seu interrogatório, o réu emocionou-se, negou a intenção de matar e relatou o impacto do caso em sua saúde mental e em sua vida familiar, incluindo a perda dos pais durante o andamento do processo.

A sessão foi presidida pelo juiz Cláudio Hernandes, titular da 3ª Vara do Tribunal do Júri da capital. O Ministério Público foi representado pelos promotores Nadilson Portilho Gomes e Cristine Magela, enquanto a defesa de Gatti contou com os advogados Américo Leal, Gilberto de Sousa e Samio Sarraf.

Em seu depoimento, Gatti afirmou que o disparo foi acidental e ocorreu durante uma confraternização em sua casa, em Marabá. Segundo ele, o grupo de amigos bebia e cozinhava quando a vítima pediu para ver uma pistola que o réu havia comprado recentemente.

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“Eu fui lá no meu quarto, tirei o pente dela. Quando eu estava voltando, já sem o pente que eu deixei no quarto, puxei a parte de cima da pistola, porque quando tem uma bala dentro, ela sai, né? Quando puxa. E fui caminhando para o rumo da mesa, quando eu fui desarmar ela, ela disparou na minha mão e pegou nele. Em momento algum eu mirei nele, apontei a arma, nada disso”, detalha o acusado.

O réu declarou ter entrado em desespero ao ver o amigo ferido. Ele relatou ter acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) antes de evadir do local. Durante a fuga, alegou ter jogado a arma da ponte do Rio Itacaiunas.

“Eu peguei a arma, estava arrependido de ter comprado aquilo que desgraçou tudo, joguei ela de cima da ponte no rio e fui para a casa da minha tia”, diz Gatti.

A promotoria questionou as ações do réu após o disparo, destacando a contradição entre a alegação de fuga por medo de linchamento e a afirmação de que não havia mais ninguém na residência. O Ministério Público sustentou que a intenção de Gatti era eximir-se da responsabilidade penal e dificultar a apuração dos fatos ao descartar a arma.

O acusado explicou ter adquirido a pistola de um caminhoneiro em um posto de combustíveis cerca de seis a oito meses antes do ocorrido, sob a justificativa de proteção pessoal, já que era comum o porte de armas em seu círculo social. Ele admitiu não possuir o registro do armamento, embora tivesse a intenção de legalizá-lo.

Durante o interrogatório, Gatti chorou ao relatar as consequências do processo em sua vida. Ele afirmou que precisou trancar o curso de Medicina na Bolívia, desenvolveu depressão e ansiedade severas e foi abandonado pelos amigos. O réu também lamentou não ter podido acompanhar os pais em seus últimos momentos devido às restrições do processo.

“Meu pai estava no Paraná, acabou falecendo lá, eu não pude ir nem no enterro do meu pai. Passou um tempo disso tudo, minha mãe faleceu de câncer, eu não pude cuidar dela também, que ela foi tratar em outro estado, lá em Barretos”, declara, emocionado.

“Todos meus amigos me abandonaram, eu perdi tudo, doutor, tudo, tudo da minha vida. Hoje só durmo com remédio”.