📅 Publicado em 16/04/2026 15h01✏️ Atualizado em 16/04/2026 15h16
Está acontecendo nesta quinta-feira (16), em Belém, o julgamento de Vinícius Nogueira Gatti, acusado de homicídio qualificado contra o estudante de Direito Fabbllu Ohara de Lima Gonçalves e por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento.
O réu, que responde ao processo em liberdade, enfrenta o júri na capital paraense após o Tribunal de Justiça do Pará autorizar a transferência do caso, originalmente tramitado na comarca de Marabá. A sessão de hoje é presidida pelo juiz Cláudio Hernandes.
A acusação é conduzida pelos promotores de justiça Nadilson Portilho Gomes e Cristine Magela. A defesa técnica do acusado é formada pelos advogados Américo Leal, Gilberto de Sousa e Samio Sarraf.
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A mudança de cidade foi solicitada pela defesa de Gatti sob a alegação de risco à imparcialidade dos jurados locais. Os advogados apontaram a forte comoção social em Marabá, a intensa repercussão do caso na imprensa da região e a realização de protestos populares nas imediações do fórum.
O pedido também alertou para o medo de testemunhas, que solicitaram participação por videoconferência para evitar o comparecimento presencial. A defesa citou ainda a renúncia de um advogado anterior devido à pressão social e o possível abalo psicológico do réu caso fosse julgado naquele ambiente.
Ao analisar o pedido, a desembargadora Sarah Castelo Branco Monteiro Rodrigues, relatora do Tribunal de Justiça, confirmou que o conjunto de fatores configurava um ambiente social tensionado, capaz de comprometer a formação livre da convicção dos jurados e a confiança pública no resultado.
“O desaforamento é uma medida excepcional, mas cabível quando há risco à imparcialidade do júri, à segurança do acusado ou ao interesse da ordem pública. Não é necessário comprovar de forma absoluta a parcialidade dos jurados, sendo suficiente a existência de dúvida fundamentada, baseada em elementos concretos”, declarou a magistrada na decisão.

HISTÓRICO
O processo já carrega o histórico de uma sessão dissolvida. Em junho de 2025, uma tentativa de realizar o júri em Marabá foi suspensa devido a um erro na condução dos depoimentos por videoconferência. A defesa de Gatti identificou uma quebra de incomunicabilidade entre as testemunhas: a segunda pessoa ouvida admitiu ter escutado o relato da testemunha anterior. A legislação proíbe essa prática para garantir que os depoimentos não sofram influência externa.
A juíza Alessandra Rocha, responsável por presidir aquela sessão em Marabá, acatou o pedido de nulidade apresentado pelo advogado Américo Leal. “A falha compromete a lisura do julgamento, e a única saída é remarcar a sessão para garantir que tudo ocorra dentro da lei”, afirmou a magistrada na ocasião. O julgamento chegou a ser remarcado para o fim de 2025, antes da transferência definitiva para a capital.

RELEMBRE O CRIME
Em janeiro de 2020, uma reunião de amigos no Bairro Novo Horizonte terminou com a morte de Fabbllu Ohara de Lima Gonçalves, que na época tinha 30 anos. Ele foi morto com um tiro na cabeça, dentro da casa de Vinícius Nogueira Gatti, de 32. Segundo a Polícia Civil, o disparo teria ocorrido de forma acidental enquanto Gatti manuseava uma pistola durante o encontro.
Após o crime, Gatti acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), assumiu a autoria, mas fugiu do local. Ele se apresentou dias depois na delegacia, quando já havia um mandado de prisão expedido contra ele. Na ocasião, recebeu voz de prisão e prestou depoimento.
A defesa afirma que o disparo foi acidental e que Vinícius teria jogado a arma no rio após o ocorrido. A vítima deixou esposa e filha. Desde então, a família luta para que a Justiça seja feita.

