Correio de Carajás

BR-422: motoristas devem redobrar atenção em ponto crítico próximo a Tucuruí

Erosão volta a ameaçar rodovia e engenheiros do Dnit estão fazendo um desvio até estudarem a causa do problema

Trecho de estrada com asfalto colapsado e grande erosão, com um caminhão ao fundo.
Erosão lateral já carregou quase todo o leito da rodovia nos últimos dias
✏️ Atualizado em 07/04/2026 09h25

A BR-422, importante corredor logístico que liga os municípios de Tucuruí e Novo Repartimento, no sudeste do Pará, volta a ser motivo de preocupação para os motoristas que trafegam pela região. Apenas cinco meses após a conclusão histórica de sua pavimentação, um trecho da rodovia vem apresentando risco iminente devido ao avanço de uma erosão, que já começa a afetar parte da pista e ameaça a segurança de quem passa pelo local.

A situação tem gerado apreensão constante para os usuários da via, principalmente pela possibilidade de acidentes graves. O ponto afetado fica localizado a cerca de 12 quilômetros no sentido entre Tucuruí e Novo Repartimento.

Para garantir a segurança e manter o fluxo de veículos, equipes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estão realizando intervenções emergenciais no local. Um desvio provisório foi implantado enquanto os trabalhos de contenção seguem em andamento, exigindo paciência e cuidado redobrado dos condutores.

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A orientação das autoridades de trânsito é clara e contundente: reduzir a velocidade, respeitar rigorosamente a sinalização instalada e redobrar os cuidados ao passar pela área afetada. A força das chuvas típicas do inverno amazônico tem sido apontada como o principal fator para o agravamento do problema, comprometendo a estrutura do talude de terra que sustenta a rodovia.

O histórico de março

No último mês de março, o mesmo trecho da BR-422 enfrentou uma situação idêntica. Naquela ocasião, as fortes chuvas também provocaram uma severa erosão no talude, deixando a área com risco de desmoronamento e exigindo ação imediata das autoridades competentes.

Na época, a resposta do governo federal foi considerada rápida e eficiente. A deputada federal Andréia Siqueira chegou a utilizar suas redes sociais para agradecer ao Ministério dos Transportes pela agilidade no atendimento à demanda. Segundo os registros da época, as equipes do DNIT foram encaminhadas rapidamente, ainda em um domingo, para solucionar os danos e garantir a trafegabilidade da via.

Maquinas do Dnit estão fazendo um desvio, até resolverem em definitivo

O sonho do asfalto

A pavimentação completa da BR-422, também conhecida como Transcametá, foi concluída em 15 de novembro de 2025, encerrando uma espera de mais de 40 anos por parte da população local.

A obra, considerada um marco para a infraestrutura da região, representou o fim de um longo capítulo de estradas de terra, poeira intensa no verão, lama e atoleiros intransitáveis durante o inverno. Com um investimento total de R$ 228 milhões, viabilizado pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o governo federal finalizou a aplicação da camada asfáltica nos 59,34 quilômetros que separam Tucuruí de Novo Repartimento.

A execução do projeto, que teve sua ordem de serviço assinada em julho de 2022, ficou a cargo do consórcio formado pelas construtoras LCM e Ápia S/A. Para garantir a celeridade e a qualidade do serviço, uma usina de asfalto para a produção de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) chegou a ser instalada no município de Novo Repartimento.

Além da pavimentação, as antigas e precárias pontes de madeira, de pista única, foram substituídas por modernas estruturas de concreto, largas e seguras, eliminando gargalos históricos da rodovia.

Importância estratégica

A BR-422 possui uma importância estratégica que transcende a simples ligação entre duas cidades. A rodovia se conecta diretamente com a BR-230, a famosa Transamazônica, criando um corredor logístico vital para o escoamento da produção do agronegócio, um dos principais motores da economia do estado do Pará.

Com a pavimentação, a rota para polos econômicos importantes como Marabá e Altamira tornou-se significativamente mais rápida, segura e econômica. Antes da obra, o trajeto entre Marabá e Tucuruí pela PA-150, passando por municípios como Nova Ipixuna e Jacundá, era um percurso de 273 quilômetros que podia levar até cinco horas para ser concluído, dependendo das condições da estrada de terra.

Com a BR-422 totalmente asfaltada, a distância foi reduzida para 252 quilômetros, e o tempo de viagem caiu drasticamente para aproximadamente três horas e quarenta minutos. Essa economia de tempo, aliada à redução dos custos de transporte e manutenção de veículos, representa um ganho de competitividade imensurável para os produtores rurais da região do Baixo Tocantins.

“A ação representa um avanço significativo para a região, proporcionando melhores condições de tráfego, conectividade e desenvolvimento econômico. A expectativa é que traga benefícios notáveis para os moradores locais, melhorando o acesso a serviços, facilitando o escoamento de produtos e fomentando o crescimento da região como um todo”, destacou o DNIT em nota oficial durante a fase final das obras.

Desafios futuros

A conclusão da pavimentação da BR-422 foi, sem dúvida, uma transformação social e econômica para a região. O acesso facilitado a serviços essenciais como saúde e educação, a maior segurança no transporte de passageiros e a integração definitiva com o restante do estado e do país são conquistas inegáveis que impactam diretamente a qualidade de vida de milhares de paraenses.

Enquanto as equipes do DNIT trabalham no desvio provisório e nas obras de contenção definitivas, a população aguarda que as soluções adotadas desta vez sejam capazes de resistir aos próximos invernos, garantindo que o tão sonhado asfalto da BR-422 continue sendo sinônimo de progresso e não de perigo iminente. Até lá, a recomendação permanece: atenção redobrada, velocidade reduzida e respeito à sinalização no trecho afetado.