Correio de Carajás

Vozes femininas no universo literário da Itália

Mari Hipólito, mulher sorrindo com cabelo cacheado, segurando um livro, para a Coluna do Clube da Palavra.

Ainda não saí fisicamente do Brasil, mas desde junho de 2025 tenho viajado por Nápoles, Roma, Milão, Florença e, por épocas diferentes, ora estou na Itália contemporânea, ora estou na Itália do pós guerra — tudo isso proporcionado pela literatura. Me acompanham nesta viagem: Elena Ferrante, Sandro Veronesi, Domenico Starnone, Alba de Céspedes, Susanna Tamaro e agora Natalia Ginzburg. Tenho vivido aquele velho clichê: a leitura nos faz viajar sem sair do lugar!

Em razão disso, quero falar especialmente dos livros de autoria feminina que me deixaram apaixonada pela literatura italiana: Elena Ferrante, Alba de Céspedes, Susanna Tamaro e Natalia Ginzburg. Sei que há muitas outras mulheres que ocupam de forma brilhante o cenário literário italiano; contudo, por conhecê-las apenas de ouvir falar — porque conhecer é ler — o desconhecimento não me permite, neste momento, falar sobre elas. Passo a abordar, pela ordem, os encontros que tive com essas autoras, que tão bem representam a literatura italiana:

1º encontro (junho/2025): UM AMOR INCÔMODO, de Elena Ferrante. Este é o romance que me abriu as portas para a literatura italiana; nele temos uma filha de 45 anos que, após a morte de sua mãe Amália, revisita o passado e assim faz sua jornada de autoconhecimento. A obra explora uma relação complexa e, ao mesmo tempo, simbiótica entre mãe e filha.

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2º encontro (julho/2025): A FILHA PERDIDA, de Elena Ferrante. Por meio da personagem Leda, uma mulher de 48 anos, professora universitária, a autora questiona o amor materno, o amor dito “sem limites”. O romance explora, por meio da rememoração, a relação que a protagonista tem com suas duas filhas, que é baseada na culpa e no ressentimento.

3º encontro (agosto/2025): CADERNO PROIBIDO, de Alba de Céspedes. A história é ambientada na Roma de 1950 e conta a vida de uma mulher de 43 anos, casada há 23 anos e mãe de dois filhos adultos, que começa a ressignificar sua vida a partir da compra clandestina de um caderno, no qual passa a registrar eventos do seu cotidiano. A partir da escrita, a protagonista começa a questionar sua vida e os papéis que desempenha.

4º encontro (setembro/2025): NA VOZ DELA, de Alba de Céspedes, é considerada a obra prima da escritora ítalo cubana. A narrativa é ambientada durante o período da Segunda Guerra Mundial e é mais um romance de protagonismo feminino, no qual uma mulher, mesmo se casando por amor, quer mais do que ser dona de casa e esposa; ela quer participar de forma ativa dos eventos de seu tempo.

5º encontro (outubro/2025): DIAS DE ABANDONO, de Elena Ferrante, uma obra que traz temas universais: separação, divórcio, traição. O livro não é mais uma história sobre casamento e divórcio; apesar de um enredo simples, sem reviravoltas, o romance entra na alma de uma mulher que se vê abandonada pelo marido de forma repentina.

6º encontro (novembro/2025): VÁ AONDE SEU CORAÇÃO MANDAR, de Susanna Tamaro, uma narrativa delicada, escrita em forma de carta — uma longa carta que reúne suas vivências — em que uma avó solitária revela os segredos de sua vida a uma neta que está distante, com a qual mantém uma relação difícil. É um texto sensível, repleto de passagens comoventes e de muita sabedoria.

7º encontro (janeiro/2026): A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS, de Elena Ferrante. Este romance nos conduz a uma leitura muito empolgante. O livro conta a história de uma adolescente que descobre que os adultos mentem e o fazem por diversos motivos: para manipular, por proteção ou simplesmente para esconder a verdade.

8º encontro (abril/2025): ANTES E DEPOIS, de Alba de Céspedes, uma narrativa ambientada na Itália do pós guerra; a protagonista é uma mulher independente que mora sozinha e que passa a questionar suas escolhas e até mesmo sua liberdade.

9º encontro (maio/2025): CARO MICHELE, de Natalia Ginzburg. Aqui me senti descobrindo uma pérola. Que livro! Um romance epistolar composto por 37 cartas trocadas por amigos e familiares do personagem que empresta o nome ao romance: Michele. A ausência do protagonista é marcada por sua presença nas cartas; ele é o elo entre personagens de lugares e classes totalmente diferentes.

Considerando apresentadas algumas das principais vozes femininas do universo literário italiano, despeço me deixando como dica: leiam essas mulheres italianas: Alba, Elena, Natalia e Susanna, elas abordam com maestria temáticas femininas. Até a próxima, caros leitores!

* A autora é graduada em Letras pela UFPA; bacharela em Direito pela Unifesspa e leitora voraz, por amor e vocação.

 

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.