Correio de Carajás

Nunca será só futebol

No domingo, alguém levantará a taça. Mas, quando o árbitro apitar o fim da partida, o grande vencedor será a memória.

Toda Copa do Mundo é uma coleção de gols, defesas e comemorações. Esta foi também uma coleção de emoções.

Foi a Copa dos grandes craques. Messi, já caminhando para o último capítulo de uma carreira irrepetível, voltou a desafiar o tempo. Jovens talentos mostraram que o futuro chegou antes do previsto. Velhos ídolos provaram que ainda havia páginas importantes a escrever. E, por algumas semanas, o mundo voltou a acreditar que uma bola pode parar guerras particulares, aproximar desconhecidos e transformar um simples domingo em patrimônio afetivo.

Leia mais:

Mas esta Copa falou de muito mais do que futebol.

Brasileiros discutiram o racismo que tantas vezes preferem fingir não enxergar. Debateram xenofobia, preconceito, intolerância. Criticaram argentinos por atitudes que, não raro, encontram ecos dentro das próprias fronteiras. Descobriram que torcer também é olhar para dentro de si.

Talvez seja esse o maior legado de um Mundial.

O futebol nunca foi apenas vinte e dois jogadores correndo atrás da bola. Ele é um espelho. Reflete virtudes e defeitos, alegrias e frustrações, orgulho e vergonha. Aproxima culturas, provoca debates e nos obriga, vez ou outra, a conversar sobre assuntos que normalmente evitamos.

Quando a Copa termina, os estádios silenciam, as bandeiras voltam para as gavetas e os álbuns de figurinhas ficam completos. Mas permanece aquilo que realmente importa: as histórias.

Porque o futebol sempre foi sobre pessoas.

Sobre o menino que sonha em ser craque. Sobre o pai que abraça o filho depois de um gol. Sobre o torcedor que atravessa continentes apenas para cantar noventa minutos. Sobre milhões de desconhecidos que, por um instante, riem, choram e sofrem juntos.

No domingo, a taça encontrará um dono.

As emoções, essas continuarão pertencendo ao mundo inteiro.

 

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.