📅 Publicado em 20/07/2026 10h52✏️ Atualizado em 20/07/2026 10h53
As altas temperaturas registradas em Marabá exigem alguns cuidados especiais com os animais de estimação. Assim como os seres humanos, cães e gatos também sofrem com o calor intenso, mas regulam a temperatura corporal de uma forma diferente. Por isso, é importante que os tutores fiquem atentos aos sinais de alerta e adotem medidas simples para evitar problemas de saúde.
Para saber mais sobre o tema, o Correio de Carajás conversou com a médica-veterinária, clínica geral e especialista em ortopedia Rose Mary Ishida Wada.
De antemão, a especialista explicou que a maneira como os pets transpiram não é a mesma dos seres humanos e, por isso, os cuidados tendem a ser redobrados. “A nossa transpiração é pela pele, pelo suor. Já os pets aumentam a respiração, fazem mais lubrificação das vias, da boca, com mais salivação, onde ocorre a troca por evaporação”, explica a especialista.
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Segundo ela, alguns animais sofrem mais com o calor, principalmente os cães de focinho curto, como pug, shih-tzu e bulldog francês, além dos idosos, filhotes e daqueles que possuem doenças cardíacas ou respiratórias. “Os riscos, principalmente nos cães, podem ser de hipertermia e desidratação. Eles começam a ficar apáticos e com ofegância intensa. Alguns podem ter vômito, o que é um sinal de alerta”, compartilha.
SINAIS DE ALERTA EM CÃES E GATOS
A veterinária esclarece que, quando a temperatura sobe demais, o organismo pode dar sinais de que algo não vai bem. Nos cães, a respiração ofegante, a apatia, os vômitos e a dificuldade para permanecer em pé indicam que é hora de procurar atendimento veterinário.
Já nos gatos, os sintomas costumam ser mais discretos. “Nos gatos, a evaporação não é tão eficiente por conta da boca curta. Quando você vê um gatinho com a boca aberta, com ofegância, é um sinal de alerta”, completa.
A especialista esclarece que os felinos costumam procurar lugares mais frescos e diminuem naturalmente as atividades para conservar energia. Também lambem a própria pelagem como forma de ajudar na regulação da temperatura.
Outro ponto importante destacado pela veterinária é escolher o horário certo para os passeios. Em uma cidade quente como Marabá, sair ao meio-dia está fora de cogitação. “Considerando os horários mais frescos, acredito que seja pela manhã ou à noite, após o chão ter esfriado. É importante observar a raça, a idade e verificar por quanto tempo esse animal vai andar. Não basta apenas estar fresco, se ele caminhar por muito tempo, isso pode gerar uma descompensação por excesso de respiração”, avalia.
A profissional destaca que, ao final da tarde, apesar do sol mais baixo, o asfalto continua quente e o cachorro sente esse calor porque está muito próximo do chão. Além do desconforto, o piso pode provocar queimaduras nas patas. “Para nós não tem tanta diferença, porque estamos em pé. Um cachorro, que está muito próximo do chão, em quadrúpede, vai sentir calor. O ideal é ir após as 21 horas, quando o chão está mais frio”, argumenta.
Segundo ela, o asfalto quente pode levar a queimaduras. “Sim, queimaduras e lesões nos coxins (almofadinhas das patas). Pode queimar e, inclusive, soltar o epitélio. Causa uma lesão muito dolorida nos pets”, diz Rose Mary.
TOSAR NEM SEMPRE É A MELHOR OPÇÃO
Desmistificando algumas informações, a especialista afirma que, ao contrário do que muitos imaginam, tosar completamente alguns cães não é a melhor solução para aliviar o calor. “Em algumas raças, a tosa não ajuda, inclusive pode piorar. Nós vemos muito em pet shops e banhos e tosas que, por estar quente, querem deixar a pelagem mais baixa. São raças que têm o pelo como uma camada de proteção. Ela faz isolamento térmico e protege o cachorro que tem a pelagem naturalmente densa. Se você tosa muito baixo, vai expor a pele a lesões. O ideal é fazer uma escovação”, avalia.
Para deixar os pets mais confortáveis durante os dias quentes, Rose recomenda manter água fresca sempre disponível, aumentar a quantidade de bebedouros pela casa e trocar a água com frequência. “Eu gosto bastante do picolézinho gelado. Pode usar água de coco ou outra fruta de que o pet goste, como banana e maçã, sempre em pedaços pequenos para evitar engasgos”, complementa.
Tapetes refrescantes e ambientes bem ventilados também são aliados para garantir mais conforto aos animais.
Médica-veterinária e tutora da shih-tzu Brenda, de 12 anos, Rose Mary reforça que pequenas mudanças na rotina podem evitar problemas. Um exemplo disso é a escovação da pelagem dos pets. “Fazer a escovação três vezes por semana retira os pelos mortos e ventila melhor a pelagem”, explica.
O QUE FAZER EM CASOS DE INSOLAÇÃO?
Ao perceber sinais de desidratação ou insolação, a profissional orienta que o tutor aja rapidamente, mas sem recorrer a medidas bruscas. Primeiramente, deve retirar o pet do local quente e levá-lo para um ambiente mais fresco. Em seguida, direcioná-lo a um ventilador ou ar-condicionado. “Não jogue água gelada nele. O resfriamento deve ser gradativo, usando água em temperatura ambiente e molhando primeiro as patinhas”, acrescenta.
Ela ainda explica que o animal também deve permanecer em repouso, além de evitar estímulos. “Se observar sintomas como vômito ou perceber que a respiração ofegante não passa, aí é preciso levar o animal imediatamente para um atendimento de emergência”, conclui.
Outro ponto destacado por ela é que, durante o verão, aumenta o número de atendimentos relacionados a doenças dermatológicas e respiratórias. O excesso de calor predispõe ao aumento da sensibilidade da pele e da coceira. “Não é que o calor cause a coceira, mas os pets que já têm dermatopatias precisam manter a rotina de tratamento para minimizar os sintomas”, analisa.
A veterinária reforça que o bem-estar dos animais depende diretamente da atenção e do compromisso dos tutores. “É responsabilidade do tutor promover conforto térmico, cuidar da higiene, manter os banhos, a tosa correta e acompanhar a saúde do animal”, finaliza.
Ela destaca que investir tempo e cuidados preventivos é a melhor forma de garantir qualidade de vida aos pets, pois a prevenção é melhor do que o tratamento. Para ela, evitar o sofrimento dos animais é o melhor caminho, mantendo sempre a atenção ao filho de quatro patas.
