Correio de Carajás

Vendedor de lanches denuncia injúria racial sofrida no São Félix II

José Carlos compareceu à Delegacia de Polícia Civil para denunciar as agressões verbais / Foto: Evangelista Rocha
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O racismo existe e ele acontece mais próximo do que imaginamos. Na manhã desta segunda-feira (11), na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, estava José Carlos Silva Passos, vendedor autônomo, que trabalha com um carrinho de lanches na Praça dos Sonhos, no São Félix II. E na madrugada do domingo (10), segundo ele narrou à polícia, foi vítima do crime de injúria racial por dois homens, que passaram de moto e dispararam palavras de bullying e teor racista contra o rapaz.

José Carlos conta que estava voltando da praça, por volta das 2 horas da madrugada, acompanhando sua namorada, pois ia deixá-la em casa. Ela entrou na residência para pegar um objeto e entregar para ele. Ao retornar, os dois indivíduos passaram de motocicleta, reduziram a velocidade e gritaram: “ei negão, toma vergonha, vai pra um motel seu vagabundo, cachorro!”, conforme contou José Carlos.

O rapaz ficou sem reação diante das agressões verbais e sua namorada desaprovou a atitude dos homens, comentando “temos que passar por cada coisa”. José perguntou se ela os conhecia, o que confirmou, indicando que moravam a poucos metros depois de sua casa.

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José pensou que a situação havia terminado ali, porém, indo para casa, ele passou em frente a uma residência onde os mesmos agressores se encontravam, com mais dois amigos, voltando a fazer comentários racistas.

“Eu estava com um cobertor me cobrindo, pois estava serenando, daí eles começaram ‘tá levando o quê? Um lençol é? Cria vergonha, negão’. Eu ainda cheguei a responder que o que eu estivesse levando, não era da conta de ninguém e segui meu caminho”, relata a vítima.

Na manhã do domingo (10), José foi à residência onde os homens estavam na noite anterior e quis confirmar se os rapazes estariam lá. “Eu queria saber por que eles me trataram daquela forma, já que nem os conheço. Mas, percebi que eles não residiam lá e o dono da casa ainda tentou amenizar a situação, embora sua esposa tenha confirmado que ouviu a brincadeira de mau gosto”, indignou-se.

Na segunda-feira (11), José Carlos iria procurar o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para denunciar a situação, mas uma advogada o orientou a ir, primeiramente, na Delegacia de Polícia Civil. Ele chegou à Depol pela manhã, porém, não conseguiu registrar o Boletim de Ocorrência, devido os agentes da PC estarem envolvidos com o sequestro “sapatinho” ocorrido naquele dia.

Na parte da tarde, José foi atendido pela escrivã que registrou o BO e o delegado William Crispim acompanha o caso. Segundo a vítima, no fim da tarde, por volta das 18 horas, os denunciados foram notificados e intimados pela PC a comparecerem na Seccional para prestar esclarecimentos, o que foi confirmado pelo delegado.

José acrescenta que um dos agressores chegou a ir em sua casa para pedir que ele retirasse a denúncia, por não ter participado das agressões verbais, estando apenas como piloto da moto. “Eu fui claro de que a minha parte eu fiz, agora cabe a ele dar explicações à Polícia Civil e se defender”, comentou.

O crime de injúria racial configura-se em ofender alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência. A pena pode ser reclusão de 1 a 6 meses ou multa. (Zeus Bandeira)

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