Há uma diferença enorme entre ser irreverente e ser infantil. O futebol sempre viveu de provocações. Elas fazem parte do espetáculo, desde que terminem no apito final. O problema começa quando um jogador do tamanho de Neymar parece acreditar que vencer uma partida lhe dá o direito de humilhar o adversário.
Em Belém, depois da classificação do Santos sobre o Remo, não foi o camisa 10 genial que chamou atenção. Foi um adulto fazendo caretas, gritando “eliminado”, dançando diante dos vencidos e alimentando uma confusão desnecessária. Não parecia um dos maiores talentos da história recente do futebol brasileiro. Parecia um menino que ganhou uma disputa no recreio e precisava esfregar a vitória na cara do coleguinha.
Existe uma infantilização do adulto quando a necessidade de aparecer supera a capacidade de respeitar. O craque deixa de ser exemplo e passa a agir como quem nunca aprendeu que grandeza também se mede na vitória.
Leia mais:
Curiosamente, Neymar conhece os dois lados da moeda. Já foi aplaudido de pé por adversários e também alvo de provocações. Talvez justamente por isso devesse compreender que o futebol não termina quando a bola para de rolar. A imagem que fica, muitas vezes, não é a do drible, da assistência ou do gol, mas da postura.
O Remo foi eliminado. Isso faz parte do esporte. O que não deveria fazer parte é transformar a dor da derrota em palco para zombarias. O verdadeiro vencedor não precisa lembrar ao derrotado que ele perdeu. O placar já faz esse trabalho.
No fim das contas, o Santos saiu classificado. Neymar também saiu de campo. Mas quem permaneceu em evidência não foi o gênio da bola. Foi o adulto que, por alguns minutos, escolheu agir como criança. E isso, para alguém com o seu talento e influência, talvez seja a maior derrota da noite.

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
