Correio de Carajás

VARÍOLA II

Coluna Dr. Nagilson

Coluna Dr. Nagilson

Nagilson Amoury

A varíola era endêmica em todos os países do mundo, e existia em duas formas: varíola minor e varíola major. A varíola major era uma doença grave, com uma taxa de mortalidade superior a 20% em pessoas não-vacinadas, enquanto a varíola minor era uma infecção mais branda, com mortalidade inferior a 1%.

      As duas formas eram causadas pelo mesmo vírus. Com base em um caso específico era difícil diferenciar a varíola minor de um caso brando de varíola major. Em geral, era necessário avaliar a gravidade de todo um surto para diferenciar as duas formas. A evolução da erupção cutânea na varíola minor era mais rápida, semelhante à da varíola acelerada.

      O vírus pode ser isolado das lesões cutâneas (até se formarem as crostas), da orofaringe, da conjuntiva e da urina. A viremia precede a erupção cutânea e desaparece, na maioria dos pacientes, quando surge a erupção cutânea.

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      As partículas virais podem ser visualizadas à microscopia eletrônica com coloração negativa realizada em líquido obtido das lesões cutâneas. Essa forma de diagnóstico era usada para identificar os casos durante os programas de erradicação intensificada realizados nas décadas de 1960 e 1970.

      Sorologia. Os anticorpos surgem do sexto ao oitavo dias de infecção. O título de anticorpos eleva-se e pode ser detectado pelo exame de amostras paradas de soro colhidas com um intervalo de duas a três semanas. A leucocitose ocorre quando as vesículas se tornam pústulas. Um perfil compatível com coagulação intravascular disseminada é encontrado em pacientes com varíola hemorrágica.

      A diferenciação entre varíola e varicela era especialmente difícil durante as epidemias de varíola minor ou quando ocorria varíola branda em pacientes vacinados. A erupção densa no tronco e o aparecimento das lesões em estágios são característicos da varicela, e não da varíola.

      A varíola de símios que acomete seres humanos, encontrada na África Ocidental e Central, é difícil de distinguir da varíola humana. A varíola de símios está mais associada à linfadenopatia do que à varíola humana. Outrora era necessário o isolamento do vírus para diferenciar as duas. Às vezes, o isolamento do vírus também era necessário para diferenciar a vacínia disseminada da varíola.

      As complicações incluem infecções bacterianas da pele, ceratite e ulcerações da córnea, artrite viral e osteomielite, pneumonia bacteriana, orquite e encefalite. As sequelas incluem cegueira por fibrose da córnea, defeitos nos membros e cicatrizes na pele, que são hipopigmentadas em pessoas de pele escura e hiperpigmentadas em pessoas de pele clara.

      No passado a mortalidade era maior em lactentes e pessoas idosas. A infecção de gestantes levava a taxas de abortamento superiores a 60%. A vacinação durante a primeira semana de incubação modificou a evolução da doença, protegendo muitos e amenizando a gravidade da infecção em outros, o que constituía um importante método de controle da varíola.

      Em 1959, a Assembléia Mundial de Saúde adotou um programa que visava à erradicação mundial da varíola. O desenvolvimento de uma vacina estável e desidratada, congelada, significou que os programas de vacinação poderiam atingir países tropicais menos desenvolvidos.

      Os esforços foram intensificados em 1967 e baseavam-se em princípios de acompanhamento e restrição envolvendo detecção do caso, quarentena dos pacientes infectados e vacinação dos contactantes e de outros indivíduos que vivessem na área imediata. O acompanhamento e a vacinação dos contactantes foram extremamente importantes para o sucesso final do programa.

      Essa abordagem foi bem-sucedida porque a varíola tem um período de incubação longo, que permite que a vacinação modifique a evolução da doença. A ausência de reservatórios do vírus da varíola, além do ser humano, a facilidade do diagnóstico clínico e o fato de que a varíola não se instala como uma infecção persistente ou latente foram fatores importantes que contribuíram para o sucesso do programa de erradicação.

* O autor é especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

 

Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.

 

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