Correio de Carajás

Usina: Autoridades elogiam, mas com pés no chão

Foto: Ulisses Pompeu
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A mineradora Vale deu nome de Alpa (Aços Laminados do Pará) ao projeto original para produção de aço em Marabá, que não saiu da terraplanagem. A Cevital nominou de Aços do Pará o projeto que morreu antes de a empresa tirá-lo do computador. Agora, com a “usina de laminação”, o projeto da Concremat/CCCC, chancelado pela Vale, nasce sem ter sido batizado.

Além de estar faltando nome de batismo, também não foi revelado ainda em que local o projeto será construído. Uma versão de funcionários da própria Vale fala na planta da extinta Alpa, enquanto outros creem que será tão pequeno que a área da Ferro Gusa Carajás, guseira da Vale no Distrito Industrial de Marabá, será suficiente para acomodar a laminadora inominada.

Italo Ipojucan Costa, que acompanha o projeto de verticalização no Distrito Industrial de Marabá desde o início, relembra que acompanhou o nascimento da Alpa, o projeto Cevital e a forma como ambos sucumbiram. Também participou da elaboração de uma pesquisa que culminou com a aprovação do estudo de viabilidade econômico-financeira para um projeto de uma planta de 1 milhão de toneladas.

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“Fiquei surpreso com determinadas informações porque, de fato, houve uma paralisação desse projeto por causa das eleições de 2018. Eu estava presente na reunião com executivos da Vale, no Rio, onde foi informado que seria retomado após a temporada política de 2018, que poderia contaminar o processo”.

O conceito agora divulgado, relembra, não era que todos aguardavam. “Ouvi todos os informes nesta noite e acompanhei a obstinada colocação do governador (Helder) em circundar as condições de que isso deve acontecer e ele foi muito enfático em determinar as responsabilidades da Vale. Também reconheceu que o Estado, como um agente de destravamento da burocracia estadual, deve agir para dar celeridade. Ele não quer admitir que ocorra agora algo parecido com os fracassos anteriores”.

Ipojucan revela que o próprio governador lhe garantiu ser essa uma preocupação dele e o provocou a fornecer elementos para ampliar as discussões sobre o projeto. “Ele sabe perfeitamente o desafio que é a pós-implantação dessa indústria, que é o objetivo final. Você criar uma base de produção diversificada a partir dessa planta. Não é aquele projeto que almejávamos, que tínhamos em mente, mas é algo factível. Estudos técnicos que foram anunciados aqui pelos dois agentes, Concremat principalmente, mostra a viabilidade”.

Para ele, o apelido de “Alpinha” a um projeto dessa envergadura não faz sentido. “Para mim, o que importa é que tenhamos um trunfo na mão, do que todos os trunfos no âmbito da hipótese. Temos algo consistente, factível, que definitivamente tem condições de acontecer por todo o arranjo de compromissos que foi propagado aqui. E ele é o primeiro pontapé para o descortinar de uma condição de atração de novos negócios”.

Por outro lado, Pedro Corrêa, presidente da Câmara Municipal de Marabá, mostra-se preocupado com o pouco que foi anunciado. “Viemos aqui e vamos sair sem muitas respostas. Não se falou aqui na quantidade de empregos que vai ser gerado, local onde será instalado. O Poder Legislativo vai ter oportunidade de convidar a Vale para que ela vá até a Câmara Municipal e apresente com detalhes esse projeto. É isso que a gente espera, não só da Vale como também dos seus parceiros nesse empreendimento”. 

“Será muito bom para nossa região”

Também entrevistado pela Reportagem do CORREIO durante o evento em Belém, o executivo Ian Correa, vice-presidente da Sinobras, lembra que há 14 anos aquela siderúrgica conseguiu transformar o sonho do paraense para verticalizar o minério de ferro.

“A gente fica feliz em ter sido pioneiro, mas não é o que importa nesse momento. O mais importante pra gente é a consolidação de um projeto que aponta para a criação de um polo metal-mecânico, podendo atrair novas empresas dos segmentos da indústria, serviços e comércio, o que ajuda a fortalecer Marabá”.

Provocado a diferenciar a produção da Sinobras com a usina recém-anunciada, Ian Correa observou que isso não é possível somente com a apresentação superficial que foi feita. “Não conhecemos o projeto, então fica difícil de opinar. Esse momento foi mais a parte do protocolo de intenção de instalar a laminação. Eu gostaria de fazer essa avaliação, mas tendo conhecimento”, ponderou.

Presidente da ACIM

Outro que manifestou-se com os pés do chão e sem ceticismo é o atual presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, Raimundo Nonato Jr. Para ele, apesar do histórico de algumas frustrações anteriores, é preciso acreditar no momento atual. “Estamos percebendo uma diferença nesse anúncio, até porque existem aí ambientes novos e favoráveis à instalação de empreendimentos como esse. É notório que muita gente sempre utiliza o jargão popular da crença de que é preciso ‘ver para crer’. E nós pensamos de maneira diferente, precisamos acreditar e assim conseguir ver”.

Nonato Jr. também enalteceu o tom do discurso do governador Helder Barbalho, de que não admitirá, em hipótese nenhuma, que outro movimento dessa natureza se repita, causando frustração a todos. “Isso nos anima bastante, porque dá mais seriedade no relacionamento entre o poder público e o empreendedor, fazendo com que o destaque de Marabá realmente venha à tona com o ganho de uma empresa do porte desta, que vai gerar empregos importantes, com boa massa salarial”. (Ulisses Pompeu e Karini Sued)

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